domingo, 27 de dezembro de 2015

A brincadeira

Milan Kundera
Companhia das Letras - 352 páginas

"... não são os inimigos, e sim os amigos que condenam o homem à solidão." (página 186)

Em 1948 Jahn Ludvik era um jovem universitário, que cursava Ciências em Praga e defendia as ideias e os ideais do Partido Comunista. 
Um dia, porém, ele se apaixona por Marketa, uma garota do primeiro ano e começam um namorico mas, logo em seguida, ela decide aceitar um estágio de formação do Partido durante 15 dias, num castelo da Boêmia. 

Ele sentia a falta dela; ela transbordava alegria na carta que lhe enviara e não parecia estar com saudades dele. Aí, para "feri-la, chocá-la, desnorteá-la", ele escreve um cartão postal com uma brincadeira: "O otimismo é o ópio do gênero humano! O espírito sadio fede a imbecilidade. Viva Trótski! Ludvik."

E então, seu mundo caiu. 

Integrantes do Partido leram seu cartão, entenderam que ele zombava e depreciava os ideais defendidos e o expulsam da faculdade. De uma hora para outra, ele se viu trabalhando nas minas de Ostrava, de forma intensa, dura, cruel. Não adiantou falar, argumentar, se defender. Seu destino já fora traçado.

"A despersonalização que nos infligiam pareceu perfeitamente opaca nos primeiros dias; impessoais, impostas, as funções que exercíamos substituíam todas as nossas manifestações humanas (...) meu ser interno se recusava a aceitar seu destino." (pág. 63)

E então, depois de algum tempo, surge Lucie. Uma jovem que ele conhece em um de seus dias de folga e, logo, se vê apaixonado por ela.

"...sei muito bem que o amor tem tendência a gerar sua própria lenda, a mitificar posteriormente seus começos." (pág. 84)

Não dá para contar muito além disso, mas Ludvik cumpre seus anos de trabalho forçado, sai de Ostrava e, durante todo esse período alimenta seu ódio às pessoas que mudaram sua vida, especialmente Zemanek, o então presidente do partido na faculdade.

E ele decide voltar à Morávia, sua terra natal, para cumprir um ato de vingança. 

"Adiada, a vingança se transforma em um embuste, em religião pessoal, em mito cada dia mais afastado de seus próprios atores..." (pág. 321)

Na Morávia, Ludvik reencontra pessoas que não esperava, revê conceitos e faz belas reflexões. E a vingança? Bom, aí é melhor você ler pra saber se ele leva a cabo ou não...

Excelente leitura!



domingo, 15 de novembro de 2015

A lentidão

Milan Kundera
Companhia das Letras - 105 páginas

" ...a fonte do medo está no futuro e quem se liberta do futuro nada tem a temer." (página 7)

Minha paixão por Kundera começou com A insustentável leveza do ser, que li há cerca de 5 anos. Ele é hábil em criar personagens densos que transpiram alegrias e dores, sucessos e fracassos, de forma intensa e, por vezes, insana.

A partir de um castelo francês do século XVIII, ele cria diversas histórias, com dramas distintos, baseado nas questões: o que se passa ao meu redor? Por que as pessoas se comportam assim e não de outra forma? Por que meu comportamento foi esse? O que nossas palavras querem, de fato, dizer?

"A palavra pronunciada num pequeno espaço fechado tem um significado diferente da mesma palavra ressoando num anfiteatro." (pág. 80)

E não só conta o que se passa num encontro de entomólogos nesse castelo, com um sábio tcheco, o "dançarino" Vincent e o próprio autor com sua esposa Vera, mas retoma uma trama libertina do século XVIII para ir e vir no tempo.

Ele questiona a felicidade, o prazer, o mundo que virou um palco, a ociosidade e a velocidade da vida:

" Estaríamos nós todos presos na mesma armadilha, surpreendidos por um mundo que, subitamente, sob nossos pés, transformou-se num palco do qual não podemos sair?" (página 69)

"...será que podemos viver no prazer e para o prazer e sermos felizes? O ideal de hedonismo é realizável?" (pág. 96)

Vale a pena a leitura!




sábado, 7 de novembro de 2015

Travessuras da menina má

Mario Vargas Llosa
Alfaguara - 304 páginas

"Por sua culpa, eu perdera as ilusões que fazem da existência algo mais do que uma soma de rotinas." (página 166)

O amor que Ricardo Somocurcio sente por Lily, ou pela pessoa que se diz chamar-se Lily, começa na adolescência em Miraflores, Peru, no verão de 1950.

A "chilenita" ousada conquistou seu coração, mas logo ele descobre que a vida dela é cercada de mistérios e que não deve acreditar em tudo que diz.

O tempo passa e Ricardo vai para Paris, onde se torna tradutor pela Unesco para ganhar a vida. Lá, ele reencontra Lily, agora com o nome de camarada Arlette, a qual se prepara para ir para Cuba, como bolsista de um treinamento guerrilheiro.

Ela vai para Cuba e quando volta, casada, Ricardito, o bom menino, tem certeza que a ama e vai fazer de tudo para que ela seja sua. Tudo correria às mil maravilhas se Lily-Arlette e, agora, madame Robert Arnoux, não fosse alguém que quisesse subir na vida a todo custo, passando por cima de quem quer que fosse, inclusive Ricardito.

"...eu continuo doido por ela. Foi só vê-la para reconhecer que, mesmo sabendo que qualquer relação com a menina má estava condenada ao fracasso, a única coisa que eu realmente desejava na vida, com a mesma paixão que outros dedicam a perseguir a fortuna, a glória, o sucesso ou o poder, era ela, com todas as suas mentiras, suas confusões, seu egoísmo e seus desaparecimentos..." (pág.100)

E assim, Llosa nos leva a viajar pela França, Londres, Tóquio, Peru e Madri, ao longo dos anos 50 até a década de 80, acompanhando os movimentos políticos e sociais de cada época, e as peripécias da menina má com o bom menino.

Boa leitura!

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

número ZERO

Umberto Eco
Editora Record - 208 páginas

"Quanto mais coisas uma pessoa sabe, menos coisas deram certo para ela." (página 20)

A trama se passa em Milão no ano de 1992. Um magnata, comendador Vimercate, decide criar um jornal (O Amanhã) para intimidar os poderosos da elite. Seu objetivo, porém, não é publicar o jornal de fato, mas mostrar a eles que ele tem informações valiosas para divulgar para o público caso não o aceitem como "membro" do clube da elite

Colonna, jornalista de 50 anos, separado, é chamado para trabalhar como assistente de direção de Simei, o intermediário do comendador, e deverá revisar os artigos dos outros 6 redatores convidados. 
Todos eles receberão 1 ano de salário e deverão trazer ideias que colaborem com o jornal: fatos que ficaram mal resolvidos, mal explicados ou que caíram no esquecimento, mas que podem complicar a vida de algumas pessoas ou grupos de interesse do comendador.

Quando, porém, os redatores começam a levantar os assuntos para as reportagens e, um deles, se aprofunda em questões que envolvem segredos da Segunda Guerra, de grupos secretos e do Vaticano, aí a coisa complica...

O autor não perde a oportunidade, também, de criticar a corrupção do governo e a acomodação do povo italiano, que se esquece facilmente dos escândalos e nada faz para mudar. 

Alguma semelhança com o que se passa por aqui?

Boa leitura!

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

A paz que excede todo o entendimento

Kathleen Littleton
Editora Vida - 262 páginas

"A paz de Deus está à sua disposição; basta pedir. Você pode sobreviver, e eu sou testemunho vivo disso." (página 13)

A história de Kathy é encorajadora: aos 20 anos e às vésperas de se casar com o amor de sua vida, Kathy é estuprada por seu chefe, um advogado influente na região onde morava.

Sob ameaças, ela guardou o segredo de seu noivo (e depois, seu marido) e de sua família por anos, até que reencontrou casualmente seu algoz num elevador e sua segurança voltou a ser abalada.

Num drama que é familiar para milhões de mulheres ao redor do mundo, Kathy tem a coragem de contar sua história com detalhes, mostrando como a lei favorece gente influente e com grana (isso porque estamos falando de Primeiro Mundo!), apesar de todas as provas e evidências contra tais pessoas.

Ela fala de sua luta, de seus sonhos destruídos e de seu inferno pessoal, mas também fala do processo de cura e restauração que só Deus pode conceder.

Boa leitura!

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Diário de uma Paixão

Nicholas Sparks
Novo Conceito - 192 páginas

"Não sou nada especial; disso estou certo. Sou um homem comum, com pensamentos comuns e vivi uma vida comum. Não há monumentos dedicados a mim e o meu nome, em breve, será esquecido, mas amei uma pessoa com toda a minha alma e coração e, para mim, isso sempre bastou." (página 11)

Esse é Noah Calhoun, um senhor de 80 anos que mora numa casa de repouso, e vai narrar a sua história de vida numa cidadezinha interiorana dos Estados Unidos, Nova Berna.

Tudo começou em um verão, quando Noah era um adolescente e conheceu Allie em uma festa. Começaram a namorar e, as três semanas seguintes, foram os dias mais marcantes para ambos quando, então, ela teve de partir.

O que se passa depois é uma das histórias mais fofas que já vi na telinha (lembro-me de assistir ao filmes várias vezes, há cerca de 10 anos!) e, pra quem não viu ou não conhece, precisa ler!

É uma história de amor, poesia, dor, descobertas e, acima de tudo, de coragem. É pra quem acredita no amor, apesar das circunstâncias da vida, e não desiste de lutar. É pra mim e pra você.

Boa leitura!

sábado, 19 de setembro de 2015

Para onde vai o amor?


Fabrício Carpinejar
Editora Bertrand Brasil - 176 páginas

"[Amor] é descobrir que precisamos especialmente daquilo que não somos. Para ampliar o que somos." (página 109)

Carpinejar deve ter 2 corações, só pode. Um para pulsar pela vida, outro para transbordar intensidades. O acompanho nas redes sociais há um bocado de tempo e, somente agora, peguei um livro de crônica - de fossa - pra ler.

Ele fala de relacionamentos: do arrebatamento do começo, das pequenas conquistas diárias, da vida a dois que passa por desgastes e superações e dos términos.

"A intimidade é nossa verdadeira aparência. O que somos convivendo, não o que somos sozinhos." (pág. 97)

Claro que o foco é o relacionamento entre casal, mas os sentimentos podem ser replicados para o amor entre amigos, entre pais e filhos, em qualquer situação. Alegrias e dificuldades estão em qualquer lugar onde um coração bate e o outro corresponde.

"...amor não é justiça, amor não é julgamento, amor não é consciência, amor não é controle (...) Não é se afastar." (pág.62)

"Obrigar o outro é desamor." (pág. 73)

"A dor não cria portas, a dor unicamente levanta paredes." (pág. 136)

"Quanto orgulho custa uma reconciliação!" (pág. 142)

"Não deixo o tempo perdoar em meu lugar (...) Assumo os tropeços e eu mesmo peço desculpa." (pág 150)

"O tempo organiza, mas não define. O tempo esfria, mas não cura. O tempo estanca a hemorragia, mas não cicatriza (...) O tempo acalma, mas não garante o entendimento." (pág. 151)

Em Todo o amor do mundo em mim, ele lista 62 situações que ele ama fazer.
Experimente fazer, mentalmente mesmo, uma pequena lista das coisas que você ama fazer... ouso dizer que a maioria não vai ter nem 10 itens e a maioria das coisas as que visam seu próprio prazer imediato.
"Amo suspirar. O suspiro é o elevador da alma." (pág. 52)

Já em Segurando o amor pelas unhas, não consegui conter a emoção: sabe quando você implica com alguém que ama e, depois que a perde, o que te irritava deixa de ter relevância?
"Saudade é um trabalho da paciência, de longa aceitação das diferenças. Saudade é transformar falhas individuais em virtudes da relação." (pág. 132)

Poderia listar o que mais gostei em cada uma das 58 crônicas, mas deixo para você ler e apreciar.

Boa leitura!

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

O Hobbit

J.R.R.Tolkien (1892-1973)
Martins Fontes - 300 páginas

"Estou procurando alguém para participar de uma aventura que estou organizando, e está muito difícil achar alguém."
(Gandalf para Bilbo Bolseiro - página 4)

Assim começa a saga de Bilbo e de treze anões, liderados por Thorin e o mago Gandalf, em busca do tesouro da Montanha Solitária.

Sabendo que o caminho não seria fácil e que precisavam de um "ladrão" pra empreitada, Gandalf escolheu Bilbo para acompanhá-los.

Pra quem conhece um pouco de Tolkien, sabe que orcs, elfos, homens, anões, hobbits fazem parte desse mundo fantástico e não convivem de forma harmoniosa, logo é de se esperar batalhas, emboscadas, traições, lutas épicas de forma intensa do começo ao fim.

"Não há trilhas seguras nesta parte do mundo." (Gandalf - pág. 136)

Pra quem viu o filme, não vai encontrar uma linha sequer, falando da bela elfa Tauriel (vivida por Evangeline Lilly). Ela entrou pra dar um toque feminino na trama da telona (assim como a rainha Galadriel, que foi "importada" do Senhor dos Anéis para uma aparição rápida).

Os capítulos que contam de como Bilbo se apoderou do anel de Gollum e de como ele enfrentou o grande dragão Smaug são os melhores. Os diálogos, impagáveis.

Diferentemente do filme, o livro não tem enrolação: a viagem dos nossos amigos é cheia de aventuras e, de uma forma que só Tolkien pode fazer, você se vê lá no meio, lutando com eles e se emocionando também.

Vale a pena a leitura!

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Desonra

J.M.Coetzee
Companhia das Letras - 248 páginas

"Seu temperamento não vai mudar, está velho demais para isso. Está fixo, estabelecido. O crânio, depois o temperamento: as duas partes mais duras do corpo." (página 8)

David Lurie é um professor da Universidade Técnica do Cabo (África do Sul), que além do curso de comunicação, dá aulas de poesia romântica.

Aos 52 anos, divorciado e pai de uma filha adulta que mora do interior, ele não tem grandes ambições. Ensina seus alunos porque é assim que ganha a vida e, agora, decidiu escrever um trabalho sobre Byron, uma ópera.

Sua vida muda completamente depois que ele tem um caso com uma de suas alunas, a doce Melanie.

"Uma semana atrás, era só uma carinha bonita na classe. Agora, é uma presença na vida dele, uma presença pulsante." (pág. 31)

Relutante, ela cede aos desejos do professor, mas depois o denuncia e ele acaba enfrentando um inquérito disciplinar na faculdade.

Não vou falar muito mais para não estragar a leitura, mas o fato é que com isso, ele se aproxima mais de sua filha e, de certa forma, a ajuda passar por uma fase bem complicada na fazenda.

Basta dizer que todo esse cenário foi desenhado numa África do Sul pós-apartheid, onde vingança, disputas por terras e banditismo são uma constante, em diversos e diferentes graus.

Alerta: o livro é excelente, mas é um soco no estômago. Aliás, um após o outro.

sábado, 15 de agosto de 2015

Pequeno Segredo

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Heloisa Schurmann
Nova Fronteira - 288 páginas

"Deixe que ela tenha uma vida cheia de coisas pra fazer, que ela tenha sonhos e que seja amada por todos. Nunca coloque um ponto final na vida dela." (página 143)

Lembro-me de acompanhar pelo Fantástico a trajetória da família Schurmann, em suas viagens ao redor do mundo a bordo do veleiro Aysso
O que eu mais gostava de ver? A pequena Kat. Sempre sorridente, ela vivia brincando ou estava no colo de algum integrante da família, iluminando o ambiente.

Eu não sabia - quer dizer, ninguém sabia - que ela era portadora do HIV. Quem iria suspeitar que uma criança tão cheia de vida poderia estar com os dias contados?

Jeanne, a mãe de Kat, pegou o vírus em uma transfusão de sangue antes dela nascer. Sem saber que tinha a doença, acabou por transmiti-la ao marido, Robert (neozelandês), e à filha durante a gestação. Jeanne faleceu quando Kat era pequena e Robert, sabendo que logo teria o mesmo destino, entregou a filha para a família Schurmann, que a adotou com a maior alegria.

Pierre, David e Wilhelm, os filhos adolescentes de Vilfredo e Heloisa, ganharam uma irmãzinha alegre, curiosa, carinhosa e cheia de amor pra dar. Ela tinha só 3 aninhos e, segundo o parecer de um médico paulista, não viveria muito tempo. Mas, 11 anos se passaram e ela viveu muitas aventuras, as quais são narradas por sua mommy Heloisa nesse livro. 
Claro que nem tudo foram flores, houve as fases de tratamentos, internações, mudanças de medicamentos, etc mas em todos os momentos, Kat pode contar com o amor incondicional de sua nova família.

É impossível não se emocionar em cada página e, a leitura do diário de Kat no final, é algo que amolece qualquer coração: seus sonhos, suas dores, suas angústias (por que não cresço?), suas pequenas alegrias diárias...está tudo ali, com suas palavrinhas e seu jeito especial de ser.

Boa leitura!

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Para onde ela foi

Gayle Forman
Novo Conceito - 240 páginas

"... vou ter de viver dos restos de hoje até o fim da vida..." (página 99)

Continuação de Se eu ficar, finalmente vamos saber o que aconteceu com Mia: se recuperou? Voltou a tocar? Ficou com Adam?

Adam, por sua vez, está "bombando" com sua banda Shooting Star e cada vez mais se afunda no tabagismo e nos remédios para controlar a ansiedade.

Não dá para contar muita coisa, sem cair em spoillers, mas já dá pra adiantar que temos aqui decepções, dores, momentos de superação, muito "mal entendido" e, claro, argumentos (fracos) para resolver tudo isso.

A boa notícia é que a história tem o fim agora.

Boa leitura!

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Se eu ficar

Gayle Forman
Novo Conceito - 224 páginas

"Às vezes você faz escolhas na vida e outras, as escolhas vêm até você." (página 159)

Mia é uma garota de 17 anos que tem uma vida pacata e feliz. Diferentemente de seus pais que curtem rock, ela prefere música clássica e toca violoncelo. Seu irmão caçula, Teddy, é seu xodó e todos vivem em harmonia no Oregon. O namorado, Adam, tem uma banda e, com a fama recente, tem viajado bastante para fazer shows.

Numa manhã de neve com as aulas suspensas, a família decide visitar um casal de amigos. No caminho, um caminhão invade a pista e pega o carro que viajavam em cheio.
O problema é que Mia se vê fora do corpo que sofreu o trauma e não sabe o que fazer. Aos poucos, ela vai tomando consciência do que aconteceu e se desespera: como sair daquela situação? Como voltar? Aliás, será que vale a pena lutar pra viver?

Intercalando os momentos do hospital com as lembranças de Mia, vamos conhecendo sua vida, seus sonhos, suas amizades, seus medos e dilemas. Tudo o que uma adolescente que está prestes a entrar numa faculdade pensa, sente ou faz.

O livro tem aquele mote de dor e sofrimento tão em moda entre os adolescentes, depois do sucesso de A Culpa é das Estrelas. Quanto mais tragédia, morte e dor, maior a garantia de sucesso da obra/filme.

Só senti falta de um ingrediente na obra: sentimento. Dá pra acreditar? A forma como a Mia-fantasma encara o acidente é chocante. Ela descreve o que aconteceu, como viu mas de uma forma fria, distante, como se fosse algo corriqueiro.

Depois, assisti ao filme e achei que resolveram um pouco essa questão, mas mesmo assim esse aspecto ficou a desejar, considerando o mote da obra.

De qualquer forma, se você quer entender o que seus filhos e sobrinhos adolescentes curtem, comece por aí.

Boa leitura!


quinta-feira, 16 de julho de 2015

A imortalidade

Milan Kundera
Companhia das Letras - 408 páginas

"Não que acreditassem tanto nas opiniões que defendiam, mas não suportavam não ter razão." (página 143)


Há 5 anos, li A insustentável leveza do ser, e me apaixonei por Kundera. Como meus amigos me conhecem, me deram esse livro de presente de aniversário e, só agora, peguei pra ler e devorar.

A partir de um simples aceno de uma mulher desconhecida ao seu professor de natação, o autor-narrador é tomado por um sentimento arrebatador, de encantamento, que o faz imaginar como seria a vida desta mulher no seu dia-a-dia.

"Era o encanto de um gesto sufocado no não encanto do corpo. Mas a mulher, mesmo que soubesse que não era mais bonita, esqueceu isso naquele momento." (pág.10)

Agnes, a mulher, é casada com Paul, tem uma filha e uma irmã (Laura). O relacionamento entre eles, claro, não é fácil, mas repleto de conflitos e disputas.
Seria a Agnes real diferente da imaginada? O que é real e o que é fruto da imaginação do autor?

No paralelo, Kundera resgata a história de Goethe e Bettina von Armin e desenvolve diálogos e histórias que podem ou não ter acontecido. Quais as intenções da jovem ao se aproximar do grande escritor? Amor ou desejo da imortalidade?

Como é próprio do autor, temas como solidão, amor, ódio, vergonha, motivação, desejo, sonho estão presentes nas tramas.

"A solidão: doce ausência de olhares." (pág. 37)

Os gestos de Agnes, Laura, Bettina marcaram os homens que viveram ou tiveram contato com elas. Será que temos controle sobre a imagem que passamos e que não tem a ver com a aparência?

"...nunca sabemos por que e em que aborrecemos os outros, em que lhes somos antipáticos, em que lhes parecemos ridículos; nossa própria imagem é para nós o maior mistério." (pág. 148)

As disputas entre as irmãs - Agnes e Laura - e as motivações de seus atos. Agimos por impulso, por vontade, por acomodação com a rotina ou agimos para machucar/curar alguém?

"A armadilha do ódio é que ele nos prende muito intimamente ao adversário." (pág. 33)

"Não os usava [ os óculos escuros] para esconder o choro, mas para que soubessem que chorava." (pág. 111)

Boa leitura!



sábado, 4 de julho de 2015

Bianca Toledo – Prova Viva de um Milagre

Bianca Toledo
Mundo Cristão - 192 páginas

"A força de um testemunho é verbo em forma de carne e não de letra." (página 154)

Ganhei esse livro de uma grande amiga que, aliás, já tinha me emprestado o maravilhoso "Milagres invisíveis" da mesma autora. Mais uma vez, fui edificada, e como fui!

Aqui, Bianca Toledo conta um pouco mais da sua vida antes de ser internada e, fala também, como foi que retomou sua rotina após a restauração completa da enfermidade, que a deixou 52 dias em coma.

Imobilidade total, ausência da fala, dependência total dos outros. De uma hora pra outra, Bianca se viu assim: presa num leito de hospital, dependente e sem perspectiva de melhora. 

Mas o povo de Deus orou, jejuou, clamou e o milagre aconteceu. Bianca não só sarou, como iniciou um ministério de restauração de vidas, de cura, de intercessão.

"Interceder é um ato de amor. Quando saímos da petição para a intercessão, transferimos nosso esforço em buscar aquilo de que precisamos para clamar pela necessidade do próximo." (pág. 60)

No último capítulo, ela fala de temas como sofrimento, medo, gratidão, solidão, perdão e mostra como Jesus pode atuar em cada área, assim como fez na vida dela.

"A única vontade da fé é devolver-nos a plenitude que ultrapassa a razão." (pág. 143)

O testemunho dessa mulher é encorajador, pois mostra que ela tinha tudo pra reclamar, ficar de mimimi, se vitimizar, mas escolheu crer naquele que tudo pode, naquele que restaura, naquele que sempre foi, é e será, na fonte de água viva, no Caminho, na Vida - Cristo.

Boa leitura!

"A especialidade de Deus é realizar coisas inéditas. Só ele faz novas todas as coisas - e o faz com um propósito." (pág. 139)

terça-feira, 23 de junho de 2015

A Teoria de Tudo

Jane Hawking
Editora Gente - 447 páginas

"Os cientistas estão preparados para responder à questão mecânica de como o universo e tudo nele, incluindo a vida, surgiu. Contudo, (...) os físicos não podem responder às perguntas por que o universo existe e, por que nós seres humanos estamos aqui para observá-lo..." (pág. 170)

Stephen Hawking, físico mundialmente conhecido, foi diagnosticado com esclerose lateral amiotrófica (conhecida como "ELA") aos 21 anos de idade. Na época, ele já conhecia Jane, sua futura esposa, e estava se destacando no meio acadêmico.
O namoro e o casamento ocorreram sob o peso do triste diagnóstico de que ele não viveria muito tempo. Porém, para surpresa de todos, ele não só sobreviveu, como contribuiu grandemente para descobertas fundamentais para a Física. 

Nem tudo foi fácil. Pelo contrário! Com o tempo, Stephen perdeu gradualmente os movimentos e a fala, exigindo mais cuidados e atenção. Graças a Jane, Stephen viajou mundo afora, fez palestras, deu aulas, escreveu o livro "Uma breve história no tempo" (o qual já vendeu mais de 25 milhões de exemplares),e teve amor, carinho e dedicação 24 horas por dia, 7 dias por semana. 

Ao deixar de lado seus projetos de estudos e trabalho, Jane criou 3 filhos e se dedicou ao bem estar físico e mental de seu marido temperamental.

"No melhor dos tempos, ele tinha pouco respeito pela inteligência dos outros. E agora, no pior dos tempos, estava inclinado a considerar todos idiotas." (página 351)

Apesar de ser ateu e de até compreender a postura dele, a sra Hawking se firmou na fé em Deus para conseguir levar a vida adiante.

"Stephen não hesitava em se declarar ateu (...) Era compreensível que, como cosmólogo que estuda as leis que governam o universo, ele não pudesse permitir que seus cálculos fossem atrapalhados por uma confessada crença na existência de um Deus criador, para além da confusão que sua doença deveria estar gerando em sua mente. (...) Eu precisava agarrar-me a qualquer fio de esperança que pudesse encontrar e manter a fé suficiente por nós dois..." (página 42)

O livro é cheio de detalhes e foi, certamente, fruto de um diário. Com grande sensibilidade e tato, Jane expõe sua vida e de Stephen, de uma forma encantadora. Choro, lágrimas, exaustão caminham lado a lado com a vitórias, alegrias e a genialidade de um dos maiores físicos de nosso século. 

Vale a pena a leitura!



quinta-feira, 4 de junho de 2015

Cristianismo puro e simples

C.S.Lewis (1898-1963)
Martins Fontes - 300 páginas

"As pessoas boas conhecem tanto o bem quanto o mal; as pessoas más não conhecem nenhum dos dois." (página 123)

Esse livro foi fruto dos programas de rádio de C.S.Lewis na BBC, numa época de guerra (entre 1942 e 1944). Seu objetivo não era converter as pessoas para a denominação da igreja que frequentava, mas explicar e defender sua fé em Jesus Cristo.

Sendo assim, ele fala da natureza humana, da crença e da conduta dos cristãos. Fala também da trindade divina, do tempo de Deus e o que significa ser uma nova criatura.

"Se descubro em mim um desejo que nenhuma experiência deste mundo pode satisfazer, a explicação mais provável é que fui criado para um outro mundo." (pág. 183)

"Todos os dias são "agora" aos olhos de Deus." (pág. 227)

"O Pai se compraz no Filho; o Filho, cheio de admiração, modela-se no Pai." (pág. 231)

Com simplicidade e com muitos exemplos próximos à realidade do ouvinte da época, ele fala sobre dor, perdas, amor, fé, esperança, pecado, perdão e outros temas relevantes e universais.

"O amor (...) é uma unidade profunda, mantida pela vontade e deliberadamente reforçada pelo hábito..." (pág. 144)

"nada faz o homem sentir-se tão superior aos outros quanto o fato de poder movê-los como soldadinhos de brinquedo." (pág. 164)

"Foi quando os cristãos deixaram de pensar no outro mundo que se tornaram tão incompetentes neste aqui." (pág. 179)

"O inimigo apela à nossa vaidade, preguiça e esnobismo intelectual..." (pág. 61)

"A fé (...) é a arte de se aferrar, apesar das mudanças de humor, àquilo que a razão já aceitou." (pág. 187)

É pra ler e se deleitar.

Boa leitura!

sábado, 30 de maio de 2015

As Crônicas de Olam: Luz e Sombras - Volume 1

Leandro Lima Wurlitzer
Editora Fiel - 542 páginas

"Todos nós escondemos muitas coisas. Especialmente, o que realmente somos." (Leannah para Ben, página 345)

Esse livro de ficção cristã caiu nas minhas mãos de um modo meio casual e, quando vi, estava devorando o 1º volume.
Aqui conhecemos um mundo antigo, com cidades habitadas por seres do bem e outras com seres do mal, cheio de alusões à cultura hebraica.

Ben é um jovem órfão, criado por Enosh, um velho lapidador de pedras shoham, que se vê no meio de uma grande aventura quando seu mestre some e deixa uma mensagem enigmática. Junto com seus amigos, Leannah e Adin, parte rumo ao desconhecido para salvar o velho e, de quebra, evitar que as trevas dominem o mundo em que vivem.

Esse mundo possui uma cidade importante, Olamir, que tem uma pedra shoham branca, única e poderosa, que garante a segurança de todos. O brilho de seu "olho" afasta os seres malignos, mas agora esse brilho está enfraquecendo e a única saída é tentar reverter isso, com as instruções do velho lapidador (latash).
Além dessa pedra especial, existem outras mais comuns, mas também especiais, que armazenam informações e permitem a comunicação entre as pessoas. Por isso, o papel de lapidador é restrito e de suma importância para todos e o sumiço de Enosh é muito preocupante.

Ben, seus amigos e o maior guerreiro de Olamir não tem outra saída e precisam agir rápido. Eles vão enfrentar grandes desafios, lutas, guerras, traições e irão se confrontar com dilemas morais e espirituais, além de terríveis seres malignos e demoníacos.

"Não deseje ser um herói para os outros, é peso demais para carregar." (Genver para Ben, página 452)

Vale a pena a leitura!

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Códice Constantino

Paulo L. Maier
Editora Vida - 400 páginas

"Assim eu lhes imploro um milagre dos dias atuais, ou seja, que, apesar de sermos 58 pessoas nesta sala, mantenhamos sigilo absoluto até estarmos prontos a anunciar a descoberta ao mundo." (página 264)

Jon e Shannon Weber fazem uma descoberta que pode abalar o mundo moderno e, em especial, o mundo cristão. 

Em uma biblioteca na Igreja Ortodoxa de São Tiago, em Pella (Jordânia), ela encontrou alguns manuscritos antigos, que marcavam as páginas de umas obras antigas. Depois, já na Grécia, o casal encontrou um códice abandonado em outra biblioteca, localizada no Patriarcado Ecumênico de Istambul. Ambos revelaram a existência de mais versículos no final do Evangelho de Marcos e...uma nova epístola de Atos, no caso 2º Atos! 

A descoberta de Istambul parece se tratar de umas das 50 cópias que Constantino, o Grande, encomendou a Eusébio de Cesaréia em 335 d.C. e que nunca foram encontradas.
Se isso, de fato, fosse comprovado, este novo códice teria uma importância tão grande quanto aos códices Sinaítico, Vaticano e Alexandrino.

No paralelo, Jon, que é professor de Harvard, na disciplina de Estudos sobre o Oriente Médio e fundador do Instituto de Estudos das Origens Cristãs em Cambridge, é desafiado por um respeitado líder muçulmano para um debate, após ter tido um problema de tradução de seu livro no Egito. O texto incorreto sugeria uma ofensa a Maomé e, mesmo tendo sido comprovado o erro de tradução, Jon teve que enfrentar a ira de radicais e também teve de aceitar esse debate.
Enquanto se prepara para o debate, Jon ainda arranja tempo para continuar suas pesquisas sobre a autenticidade das descobertas e atender à imprensa.

São duas tramas em uma, que envolvem o leitor do começo ao fim. Viagens, descobertas, traição, estudos, pesquisas e muita adrenalina estão presentes do começo ao fim. 

Quase que se pode dizer que Paul Maier é uma espécie de Dan Brown cristão, pois segue o estilo do Código da Vinci, apesar de ir para caminho oposto quando suas descobertas reforçam e legitimam os textos bíblicos.

Vale a pena a leitura!

terça-feira, 21 de abril de 2015

Antologia de Poetas Evangélicos

Ebenézer Soares Ferreira (Organizador)
Editora Ultimato - 144 páginas

"A vida é livro sagrado,
tem lições que nos convêm;
seja, pois, livro estudado:
leituras que façam bem."
(Antonio de Campos Gonçalves - página 22)

Amo poesia!
Amo me envolver com as palavras, com os sentimentos que ela produz em mim e fiquei feliz de saber que alguém reuniu poesias cristãs num livro.

São poesias de escritores antigos, conhecidos (como Giógia Júnior, Carlos Nejar, Affonso Romano de Sant´Anna) e de autores novos, contemporâneos (como Mateus Santiago). 

Falam de saudade, da solidão, da morte, da dor. Falam da igreja e do Criador. Falam do ser pai/mãe, falam de amor e falam de preces e orações. Enfim, falam da Vida, pra quem a conhece em Jesus.

Boa leitura!


sexta-feira, 3 de abril de 2015

a máquina de fazer espanhóis

valter hugo mãe
Cosac Naify - 256 páginas

"não a posso deixar aqui sozinha. não estaria sozinha. estaria sozinha de mim, que é a solidão que me interessa e a de que tenho medo." (página 14)

valter hugo é um escritor angolano, que optou por abolir as maiúsculas de sua obra por acreditar que todas as palavras são igualmente importantes e, por isso, merecem o mesmo tratamento. Portanto, ao ler a sua obra, você terá um certo estranhamento inicial, mas logo passa com o arrebatamento do teor dessas palavras.

Nesse livro, ele fala da terceira idade e fala também de morte. O que é envelhecer? Como as pessoas ao nosso redor enxergam os idosos e como eles se veem? 

"porque envelhecer é tornarmo-nos vulneráveis" (pág. 22)

Antonio Jorge da Silva é um barbeiro de 84 anos que perde sua esposa (Laura), num leito de hospital. Sua dor é narrada com sensibilidade e maestria pelo autor:

"estávamos escondidos de todos, eu e a minha mulher morta que não me diria mais nada, por mais insistente que fosse o meu desespero, a minha necessidade de respirar através do seu sorriso. eu e a minha mulher morta que se demitia de continuar a justificar-me a vida e que, abraçando-me como podia,  entregava-me tudo de uma só vez. e eu, incrível, deixava tudo de uma só vez ao cuidado nenhum do medo e recomeçava a gritar. (...) esse é o limite, a desumanidade de se perder quem não se pode perder.  foi como se me dissessem, senhor silva, vamos levar-lhes os olhos e perderá a voz, talvez lhe deixemos os pulmões, mas teremos de levar o coração, e lamentamos muito, não lhe será permitida qualquer felicidade de agora em diante." (pág. 21)

Sua filha, então, decide colocá-lo em um asilo:

"o lar da feliz idade, assim se chama o matadouro para onde fui metido." (pág. 51)

Ele vai para lá triste e decepcionado, se sentindo descartado no fim da vida, mas aos poucos faz amigos no lugar. Entre eles está o Esteves sem metafísica, personagem da poesia de Fernando Pessoa em A Tabacaria (*) que agora está para completar 100 anos! Há também o Anísio dos olhos que brilham, o outro Silva, o senhor Pereira, e os outros idosos, que perfazem sempre 93 internos, sem contar o Américo (funcionário), o doutor Bernardo e os demais funcionários.

"éramos velhos tolos a trazer da tolice uma promessa de vida qualquer." (pág. 76)

Antonio tem uma raiva dentro de si, e se perturba para dormir, já que vive tendo pesadelos com pássaros que lhe atacam. Não crê em Deus, nem nos santos, apesar de simpatizar com a imagem de Fátima, a qual chama de Mariazinha com as pombinhas, pela companhia que esta lhe faz. E tem a angústia como companheira constante.

O livro tem trechos duros, mas também tem o lado humano, da amizade e cumplicidade e do amor.

Vale a pena a leitura!




(*) Aquela que começa assim:
"Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo."
Leia na íntegra aqui!




segunda-feira, 23 de março de 2015

As Crônicas de Gelo e Fogo: A Dança dos Dragões - Livro 5

George R.R. Martin
Leya - 870 páginas

"Todo tolo gosta de ouvir que é importante."
(Tyrion Lannister, página 376)

Nesse volume, voltamos um pouco no tempo para saber o que aconteceu com Jon Snow, Tyrion, Daenerys, Davos, Stannis e Theon Greyjoy  que, em O Festim dos Corvos, tinham "desaparecido" da trama.

Jon Snow teve muitas perdas e precisa tomar uma decisão de vida ou morte, que envolve uma possível aliança com os selvagens.

Theon Greyjoy sobrevive como o cão de Ramsay Bolton e ganha o nome de "Fedor". Seu patrão, por sua vez, irá se casar com uma moça de linhagem nobre. Theon sabe a verdade a respeito da pretendente, mas terá coragem para fazer o que deve ser feito?

Daenerys vive como rainha em Meereen e decide as causas de seus "filhos" até que precisa tomar uma decisão importante: com quem deve se casar? Com seu amado Daario Naharis ou Hizdahr zo Loraq, que lhe promete a paz no reino? Ou o melhor seria escolher o jovem Quentyn Martell?

"Conte-me as coisas que a deixam feliz, as coisas que a fazem dar risada, todas as suas mais doces lembranças. Recorde-me que ainda há bondade no mundo."
(Daenerys Targaryen - pág.571)

Stannis não desiste de conquistar seu reinado e enfrenta a pior nevasca de sua vida para dominar os Bolton e tomar Winterfell. Será que irá conseguir?

E Victarion, das Ilhas de Ferro, irá sobreviver às tempestades no mar?

De Sansa, não temos notícias, mas de Arya sim. Pouca coisa, já que está em Bravos, servindo a Casa do Preto e Branco.

E o anão? Ah, ele aparece viajando pelos mares distantes de Bravos, Volantis e outros lugares distantes até que precisa tomar uma decisão difícil, mas vital.

Cersei aparece no final e precisa arcar com as consequências de seus atos. Mas, como ela tem o sangue dos leões, já dá pra imaginar o quanto ela irá lutar para se levantar e seguir em frente.

As traições, guerras e as disputas pelo poder continuam de forma mais que intensa e cruel, prendendo o leitor na leitura do começo ao fim.

Como bem disse Jojen:

"Um leitor vive mil vida antes de morrer. O homem que nunca lê vive apenas uma." (pág. 388)

Aqui, literalmente, vivemos essas mil vidas. E como!

Boa leitura!

terça-feira, 17 de março de 2015

Para sempre Alice

Lisa Genova
Editora Nova Fronteira - 283 páginas

"Meus ontens estão desaparecendo e meus amanhãs são incertos." (página 241)

Alice Howland é professora titular de psicologia na Universidade de Harward. Seus trabalhos são na área da psicolinguística e ela já escreveu um livro a 4 mãos com seu marido, biólogo, e professor na mesma universidade, além de diversos textos e artigos científicos. Tem 3 filhos e leva uma vida agitada com aulas, palestras e viagens. Aos 50 anos, ainda arranja tempo e disposição para correr diariamente. 

Porém, um dia em uma palestra, ela esquece uma palavra.
"Tinha uma vaga ideia do que queria dizer, mas a palavra em si lhe escapou. Sumiu." (pág. 15)

A partir daí, casos semelhantes começam a ocorrer esporadicamente no começo, e com mais frequência nos meses seguintes.

Alice decide, então, procurar ajuda médica e recebe o diagnóstico: mal de Alzheimer de instalação precoce.

A vida dela muda da noite para o dia: como seguir com a carreira e com seus planos? E seu casamento? Como lidar com os filhos?

De forma sensível e delicada, a autora nos conduz para o mundo de Alice que, dia a dia, luta para manter sua lucidez e memória, apesar das investidas da doença.

Trata-se de um livro maravilhoso que deixa um nó na garganta: e se acontecer com a gente? E se acontecer com quem a gente ama?

Ainda não vi o filme que está em cartaz nos cinemas, mas pretendo assistir. Abaixo, segue o trailer:



Boa leitura!


Curiosidade: no livro, Alice tem cabelos cacheados e isso é mencionado algumas vezes. Porém, para divulgar o filme em que Julianne Moore a interpreta, decidiram mudar a capa com uma foto dela de cabelos lisos! Bom, pra mim, livro é livro e filme é filme. Que a mudança ocorra no filme OK, mas no livro, vamos respeitar a ideia da autora, né?

Crônicas de um amor crônico

Priscila Rôde e Moreno Pessoa (Organizadores)
Editora Penalux - 128 páginas

"... só há uma maneira de experimentar o amor em sua forma mais comprometedora: doando-se.
Nada dá aquele que se protege quando dá."
(Laion Monteiro - página 86)

Ler crônicas é uma delícia. Mas ler crônicas que pessoas queridas escreveram, torna o prazer da leitura duplamente delicioso!

Essa coletânea de crônicas reúne grandes talentos (dos quais conheço alguns), que escrevem sobre o sentimento mais nobre e universal: o amor.

Laion Monteiro, Lucas Lujan, Rita Schultz, Van Luchiari e outros despejam sensibilidade em seus textos. Suas crônicas são para ler e degustar; para memorizar e refletir; para sorrir e chorar; para contemplar e encarnar.

"Eu desesperei do porvir, quis te fazer futuro antes que este chegasse, desse modo, enlacei-me naquele momento/presente como se dele jamais pudesse sair." 
Wellington Martins - pág 25

"...ausência também é uma forma de ocupar espaço.
Danilo M Martinho - pág. 28

"O que queremos de fato do amor é que ele nos dê férias do dia-a-dia que tedioso se repete como uma engrenagem..." 
Guilherme Antunes - pág. 42

"Quando se ama não há vencedor." 
Laion Monteiro - pág. 87

"No amor, passado, presente e futuro estão entrelaçados irreversivelmente." 
Ana Suy - pág. 91

"Penso que nem te amo mais, só sinto sua falta em tempo integral...Talvez o amor tenha acabado, mas se você estivesse aqui comigo, minha paz teria nome." 
Karla Fioravante - pág. 103

"O amor é todo dia. Engana-se quem pensa que a rotina é o desprezo do amor. O amor é cotidiano porque não acontece no singular. O amor não sobrevive solitário. Amor sozinho é amputação, é gangorra pra um. O amor é cotidiano porque consegue acontecer sempre."
Tâmara Abdulhamid - pág. 45. A crônica "O amor é rotina" é lindaaaaa!

Ficou com vontade de ler mais? Compre o livro direto com a Editora Penalux.
Vale a pena!

domingo, 22 de fevereiro de 2015

O Penúltimo Capítulo

Clarice Pessato
Ed Imprensa Livre - 208 páginas

"Foi no dia 22 de Novembro de 1981, numa tarde de domingo, num momento quando a fortaleza que revestia minha vida se desfez e tudo que eu confiava desabou, o teto caiu, o chão foi tirado debaixo dos meus pés e as paredes desmoronaram; tudo que acreditava se tornou falso, o infinito se tornou finito, o que parecia permanente se desfez e o poder se tornou fraqueza." (página 17)

Assim começa o relato de Clarice em sua biografia: aos 18 anos ela ficou tetraplégica, devido a um sério acidente automobilístico na estrada.
Mais velha dos três irmãos, Clári era uma jovem sonhadora, que estava na faculdade e planejava se casar com o namorado da pequena cidade de Arvorezinha, no interior do RS. Tudo caminhava para isso, até que houve o acidente.

No começo, veio a negação, como era possível ficar assim para sempre? Com força de vontade e fisioterapia, ela lutaria para voltar a andar. Depois, veio a fase de adaptação, como se fosse provisória. Mas uma hora a ficha caiu e aí ela teve que enfrentar a nova realidade.

Como retomar a vida do ponto em que ela parou? É possível estudar e trabalhar nessa situação? Como as pessoas vão reagir?

Clarice conta sua experiência de vida e é impossível não se emocionar com cada obstáculo e cada vitória (sim, ela conseguiu grandes conquistas!).

De onde ela tirou forças pra tudo isso? Da única forma possível: através de sua experiência com Jesus. O sorriso nos seus lábios nasceu daí, sua alegria passou a contagiar a todos que a cercavam e ela se tornou sal e luz nesse mundo de aparências e vaidades.

"...nós podemos ser bem-aventurados mesmo com a adversidade presente em nossa vida..." (pág. 170)

Não tive nem metade dos sofrimentos físicos dela, mas sei o que é sentir dor, parar de andar, passar dias numa UTI e ver seus sonhos desmoronados. Sei também como é sentir a verdadeira Paz, como é sentir alegria em um leito de hospital...
É algo inexplicável! Só quem sente sabe e transborda. E quem está ao redor percebe e é abençoado.

"A nossa história não acaba no ponto final de um livro, e o final feliz é muito mais profundo que "...e foram felizes para sempre". Entender que da tristeza podemos tirar alegria, que as perdas podem se tornar ganhos e que a derrota pode se transformar em vitória, é um trabalho que só um Deus de amor pode fazer." (pág. 18)

Minha oração é para que você, assim como eu e a Clarice, conheça esse Deus e caminhe em Paz e alegria com ele em toda e qualquer situação.

Leitura mais que recomendada; é obrigatória!

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Uma noite no Chateau Marmont

Lauren Weisberger
Record - 496 páginas

Depois de ler os relatos impactantes das mulheres chinesas (em As boas mulheres da China), precisava de algo bem leve e não é que consegui? Na verdade, uma amiga superquerida me perguntou se eu não queria ler um romance "bem menininha", estilo Bridget Jones e não pensei duas vezes em responder "Claro que quero"!

Brooke conhece Julian Alter tocando num pequeno bar de NY e se apaixona por ele e por sua música. Cinco anos depois, já casados, ela concilia 2 empregos como nutricionista para bancar os custos de Julian com a música. É uma vida corrida e sacrificante, mas ela gosta do que faz no hospital e no colégio, e se destaca em ambos pela competência e comprometimento.

Um dia, porém, o talento de Julian explode nas rádios e, consequentemente, ele se torna uma celebridade da noite para o dia. Entrevistas, turnês, festas badaladas, paparazzis... o pacote chega completo, tumultuando a rotina pacata do casal.

Como se não bastasse tudo isso,  é divulgada na imprensa uma foto de Julian com uma desconhecida no famoso Chateau Marmont e, a partir daí, o mundo de Brooke começa a se desmoronar. Foi para isso que ela dedicou seu tempo, amor e recursos?

É um romance gostoso de se ler, pois ficamos do começo ao fim torcendo pela felicidade do casal, apesar dos inúmeros problemas que eles enfrentam (pensa que é fácil ser famoso?).

Boa leitura (especialmente nessas noites chuvosas de SP)!

(como fiquei curiosa, busquei algumas fotos do famoso Chateau...)

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Se eu pudesse viver minha vida novamente

Rubem Alves (1933-2014)

"Um passado que se compartilha é um sacramento de solidariedade." (página 80)

2014 foi um ano complicado na literatura: perdemos João Ubaldo, Ariano Suassuna, Ivan Junqueira e Rubem Alves. Todos com seus dons e méritos, mas Rubem era o meu favorito.

Talvez porque ele soube ver a beleza de Deus na criação, nas coisas simples da vida; talvez porque ele entendeu que educar uma criança envolve amor e paixão acima de tudo.
Assim como em Ostra feliz não faz pérola, e outras obras e textos, ele faz poesia com a beleza das coisas, com a natureza, com o amor, com a solidão, com a dor e a morte.

"A beleza é a face visível de Deus." (pág. 16)

"O ato de ver é uma oração (...) Quem experimenta a beleza está em comunhão com o sagrado." (pág. 19)

"Toda alma é uma música que se toca (...). A poesia revela a comunhão." (pág. 22)

"A poesia opera ressurreições." (pág. 33)

"Os olhos dos poetas são sempre olhos que se despedem." (pág. 37)

"E, no entanto, é isto que nós somos, sem que tenhamos coragem para dizê-lo: um adeus." (pág 67)

"A paixão é uma perturbação da tranquilidade da alma." (pág. 115)

Ler Rubem é como brincar: faz bem para a alma!

Boa leitura.

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

As boas mulheres da China

Xinran
Companhia das Letras - 256 páginas

"Eu costumava sonhar que encontraria um jeito de lavar minha dor, mas será que posso lavar a minha vida? Posso lavar o meu passado e o meu futuro?" (Hongxue - página 40)

Graças a uma superamiga Stefanie Kung (minha chinesinha favorita!), pude ler essa obra incrível!

Durante oito anos (1989-1997), Xinran apresentou um programa de rádio noturno na China, voltado para as mulheres. Nesse período, ela ouviu muitos relatos de abuso, dor, humilhação e desespero e conseguiu abrir um espaço na programação para conversar a respeito.

Além disso, ela conheceu muitas dessas vítimas em suas visitas a campo e percebeu que o mundo não sabia nada dos horrores pelas quais milhares de mulheres havia passado na época da Revolução Cultural (1966-1976).

Nesse livro-denúncia, lemos relatos absurdos, como a de Hongxue, uma garota de 17 anos, que sofria abuso sexual do pai desde o início da adolescência e que preferia se machucar para ficar internada em um hospital, do que "viver" sendo humilhada. Ali, pelo menos, ela tinha a companhia de uma mosca, que a acariciava.

Conhecemos também o drama de Hua'er, violentada em nome da "reeducação" política e a história de uma catadora de lixo, que tem um filho político bem-sucedido, mas vive nas ruas por escolha própria.

Até mesmo diante de uma catástrofe, aconteceram atrocidades. Em 1976, houve um terremoto em Tangshan, que matou cerca de 300 mil pessoas. Yang perdeu seu filha de 14 anos, depois de 14 dias em que ela ficou pendurada nos escombros do prédio em que moravam. Já Xiao Ying, uma garota de 14 anos, ficou louca depois de ter sofrido um estupro coletivo. Sua mãe, Ding, ainda sofreu com o filho que perdeu as pernas e o marido que morreu de ataque cardíaco após tomar conhecimento do que aconteceu à filha.

São muitos os relatos de abuso de poder, tirania, maldade, crueldade na China das décadas de 60 e 70, sobretudo. Em nome da Revolução e da devoção ao Partido, muitas famílias foram destruídas e muita gente perdeu a esperança na humanidade.

"...minha casa é uma mera vitrina de objetos domésticos: não existe comunicação de verdade na família, não há sorrisos nem risos. Quando estamos só nós, tudo o que se ouve são os ruídos da existência animal: comer, beber e ir ao banheiro." (mulher que teve seu casamento arranjado pelo Partido - pág. 121)

"Quarenta e cinco anos de anseio constante por ele fizeram que minhas lágrimas formassem um lago de saudade." (Jingyi, mulher que foi separada do amor de sua vida e o esperou por 45 anos - pág. 158)

"Espero que o amor suavize os calos no seu coração, disse eu.(...)
Obrigada, disse dura, mas é muito melhor estar amortecida do que sentir dor."
(Xinran em conversa com Zhou Ting, mulher que foi traída, difamada e abandona por seu 2º marido)

"Os guardas vermelhos obrigaram Shilin (de 12 anos) a olhar pela janela enquanto interrogavam e torturavam a família Wang. Puxavam-lhe o cabelo e beliscavam as pálpebras para mantê-la acordada vários dias e noites..." (pág. 174)


Vale a pena a leitura, apesar das lágrimas.