segunda-feira, 23 de março de 2015

As Crônicas de Gelo e Fogo: A Dança dos Dragões - Livro 5

George R.R. Martin
Leya - 870 páginas

"Todo tolo gosta de ouvir que é importante."
(Tyrion Lannister, página 376)

Nesse volume, voltamos um pouco no tempo para saber o que aconteceu com Jon Snow, Tyrion, Daenerys, Davos, Stannis e Theon Greyjoy  que, em O Festim dos Corvos, tinham "desaparecido" da trama.

Jon Snow teve muitas perdas e precisa tomar uma decisão de vida ou morte, que envolve uma possível aliança com os selvagens.

Theon Greyjoy sobrevive como o cão de Ramsay Bolton e ganha o nome de "Fedor". Seu patrão, por sua vez, irá se casar com uma moça de linhagem nobre. Theon sabe a verdade a respeito da pretendente, mas terá coragem para fazer o que deve ser feito?

Daenerys vive como rainha em Meereen e decide as causas de seus "filhos" até que precisa tomar uma decisão importante: com quem deve se casar? Com seu amado Daario Naharis ou Hizdahr zo Loraq, que lhe promete a paz no reino? Ou o melhor seria escolher o jovem Quentyn Martell?

"Conte-me as coisas que a deixam feliz, as coisas que a fazem dar risada, todas as suas mais doces lembranças. Recorde-me que ainda há bondade no mundo."
(Daenerys Targaryen - pág.571)

Stannis não desiste de conquistar seu reinado e enfrenta a pior nevasca de sua vida para dominar os Bolton e tomar Winterfell. Será que irá conseguir?

E Victarion, das Ilhas de Ferro, irá sobreviver às tempestades no mar?

De Sansa, não temos notícias, mas de Arya sim. Pouca coisa, já que está em Bravos, servindo a Casa do Preto e Branco.

E o anão? Ah, ele aparece viajando pelos mares distantes de Bravos, Volantis e outros lugares distantes até que precisa tomar uma decisão difícil, mas vital.

Cersei aparece no final e precisa arcar com as consequências de seus atos. Mas, como ela tem o sangue dos leões, já dá pra imaginar o quanto ela irá lutar para se levantar e seguir em frente.

As traições, guerras e as disputas pelo poder continuam de forma mais que intensa e cruel, prendendo o leitor na leitura do começo ao fim.

Como bem disse Jojen:

"Um leitor vive mil vida antes de morrer. O homem que nunca lê vive apenas uma." (pág. 388)

Aqui, literalmente, vivemos essas mil vidas. E como!

Boa leitura!

terça-feira, 17 de março de 2015

Para sempre Alice

Lisa Genova
Editora Nova Fronteira - 283 páginas

"Meus ontens estão desaparecendo e meus amanhãs são incertos." (página 241)

Alice Howland é professora titular de psicologia na Universidade de Harward. Seus trabalhos são na área da psicolinguística e ela já escreveu um livro a 4 mãos com seu marido, biólogo, e professor na mesma universidade, além de diversos textos e artigos científicos. Tem 3 filhos e leva uma vida agitada com aulas, palestras e viagens. Aos 50 anos, ainda arranja tempo e disposição para correr diariamente. 

Porém, um dia em uma palestra, ela esquece uma palavra.
"Tinha uma vaga ideia do que queria dizer, mas a palavra em si lhe escapou. Sumiu." (pág. 15)

A partir daí, casos semelhantes começam a ocorrer esporadicamente no começo, e com mais frequência nos meses seguintes.

Alice decide, então, procurar ajuda médica e recebe o diagnóstico: mal de Alzheimer de instalação precoce.

A vida dela muda da noite para o dia: como seguir com a carreira e com seus planos? E seu casamento? Como lidar com os filhos?

De forma sensível e delicada, a autora nos conduz para o mundo de Alice que, dia a dia, luta para manter sua lucidez e memória, apesar das investidas da doença.

Trata-se de um livro maravilhoso que deixa um nó na garganta: e se acontecer com a gente? E se acontecer com quem a gente ama?

Ainda não vi o filme que está em cartaz nos cinemas, mas pretendo assistir. Abaixo, segue o trailer:



Boa leitura!


Curiosidade: no livro, Alice tem cabelos cacheados e isso é mencionado algumas vezes. Porém, para divulgar o filme em que Julianne Moore a interpreta, decidiram mudar a capa com uma foto dela de cabelos lisos! Bom, pra mim, livro é livro e filme é filme. Que a mudança ocorra no filme OK, mas no livro, vamos respeitar a ideia da autora, né?

Crônicas de um amor crônico

Priscila Rôde e Moreno Pessoa (Organizadores)
Editora Penalux - 128 páginas

"... só há uma maneira de experimentar o amor em sua forma mais comprometedora: doando-se.
Nada dá aquele que se protege quando dá."
(Laion Monteiro - página 86)

Ler crônicas é uma delícia. Mas ler crônicas que pessoas queridas escreveram, torna o prazer da leitura duplamente delicioso!

Essa coletânea de crônicas reúne grandes talentos (dos quais conheço alguns), que escrevem sobre o sentimento mais nobre e universal: o amor.

Laion Monteiro, Lucas Lujan, Rita Schultz, Van Luchiari e outros despejam sensibilidade em seus textos. Suas crônicas são para ler e degustar; para memorizar e refletir; para sorrir e chorar; para contemplar e encarnar.

"Eu desesperei do porvir, quis te fazer futuro antes que este chegasse, desse modo, enlacei-me naquele momento/presente como se dele jamais pudesse sair." 
Wellington Martins - pág 25

"...ausência também é uma forma de ocupar espaço.
Danilo M Martinho - pág. 28

"O que queremos de fato do amor é que ele nos dê férias do dia-a-dia que tedioso se repete como uma engrenagem..." 
Guilherme Antunes - pág. 42

"Quando se ama não há vencedor." 
Laion Monteiro - pág. 87

"No amor, passado, presente e futuro estão entrelaçados irreversivelmente." 
Ana Suy - pág. 91

"Penso que nem te amo mais, só sinto sua falta em tempo integral...Talvez o amor tenha acabado, mas se você estivesse aqui comigo, minha paz teria nome." 
Karla Fioravante - pág. 103

"O amor é todo dia. Engana-se quem pensa que a rotina é o desprezo do amor. O amor é cotidiano porque não acontece no singular. O amor não sobrevive solitário. Amor sozinho é amputação, é gangorra pra um. O amor é cotidiano porque consegue acontecer sempre."
Tâmara Abdulhamid - pág. 45. A crônica "O amor é rotina" é lindaaaaa!

Ficou com vontade de ler mais? Compre o livro direto com a Editora Penalux.
Vale a pena!

domingo, 22 de fevereiro de 2015

O Penúltimo Capítulo

Clarice Pessato
Ed Imprensa Livre - 208 páginas

"Foi no dia 22 de Novembro de 1981, numa tarde de domingo, num momento quando a fortaleza que revestia minha vida se desfez e tudo que eu confiava desabou, o teto caiu, o chão foi tirado debaixo dos meus pés e as paredes desmoronaram; tudo que acreditava se tornou falso, o infinito se tornou finito, o que parecia permanente se desfez e o poder se tornou fraqueza." (página 17)

Assim começa o relato de Clarice em sua biografia: aos 18 anos ela ficou tetraplégica, devido a um sério acidente automobilístico na estrada.
Mais velha dos três irmãos, Clári era uma jovem sonhadora, que estava na faculdade e planejava se casar com o namorado da pequena cidade de Arvorezinha, no interior do RS. Tudo caminhava para isso, até que houve o acidente.

No começo, veio a negação, como era possível ficar assim para sempre? Com força de vontade e fisioterapia, ela lutaria para voltar a andar. Depois, veio a fase de adaptação, como se fosse provisória. Mas uma hora a ficha caiu e aí ela teve que enfrentar a nova realidade.

Como retomar a vida do ponto em que ela parou? É possível estudar e trabalhar nessa situação? Como as pessoas vão reagir?

Clarice conta sua experiência de vida e é impossível não se emocionar com cada obstáculo e cada vitória (sim, ela conseguiu grandes conquistas!).

De onde ela tirou forças pra tudo isso? Da única forma possível: através de sua experiência com Jesus. O sorriso nos seus lábios nasceu daí, sua alegria passou a contagiar a todos que a cercavam e ela se tornou sal e luz nesse mundo de aparências e vaidades.

"...nós podemos ser bem-aventurados mesmo com a adversidade presente em nossa vida..." (pág. 170)

Não tive nem metade dos sofrimentos físicos dela, mas sei o que é sentir dor, parar de andar, passar dias numa UTI e ver seus sonhos desmoronados. Sei também como é sentir a verdadeira Paz, como é sentir alegria em um leito de hospital...
É algo inexplicável! Só quem sente sabe e transborda. E quem está ao redor percebe e é abençoado.

"A nossa história não acaba no ponto final de um livro, e o final feliz é muito mais profundo que "...e foram felizes para sempre". Entender que da tristeza podemos tirar alegria, que as perdas podem se tornar ganhos e que a derrota pode se transformar em vitória, é um trabalho que só um Deus de amor pode fazer." (pág. 18)

Minha oração é para que você, assim como eu e a Clarice, conheça esse Deus e caminhe em Paz e alegria com ele em toda e qualquer situação.

Leitura mais que recomendada; é obrigatória!

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Uma noite no Chateau Marmont

Lauren Weisberger
Record - 496 páginas

Depois de ler os relatos impactantes das mulheres chinesas (em As boas mulheres da China), precisava de algo bem leve e não é que consegui? Na verdade, uma amiga superquerida me perguntou se eu não queria ler um romance "bem menininha", estilo Bridget Jones e não pensei duas vezes em responder "Claro que quero"!

Brooke conhece Julian Alter tocando num pequeno bar de NY e se apaixona por ele e por sua música. Cinco anos depois, já casados, ela concilia 2 empregos como nutricionista para bancar os custos de Julian com a música. É uma vida corrida e sacrificante, mas ela gosta do que faz no hospital e no colégio, e se destaca em ambos pela competência e comprometimento.

Um dia, porém, o talento de Julian explode nas rádios e, consequentemente, ele se torna uma celebridade da noite para o dia. Entrevistas, turnês, festas badaladas, paparazzis... o pacote chega completo, tumultuando a rotina pacata do casal.

Como se não bastasse tudo isso,  é divulgada na imprensa uma foto de Julian com uma desconhecida no famoso Chateau Marmont e, a partir daí, o mundo de Brooke começa a se desmoronar. Foi para isso que ela dedicou seu tempo, amor e recursos?

É um romance gostoso de se ler, pois ficamos do começo ao fim torcendo pela felicidade do casal, apesar dos inúmeros problemas que eles enfrentam (pensa que é fácil ser famoso?).

Boa leitura (especialmente nessas noites chuvosas de SP)!

(como fiquei curiosa, busquei algumas fotos do famoso Chateau...)

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Se eu pudesse viver minha vida novamente

Rubem Alves (1933-2014)

"Um passado que se compartilha é um sacramento de solidariedade." (página 80)

2014 foi um ano complicado na literatura: perdemos João Ubaldo, Ariano Suassuna, Ivan Junqueira e Rubem Alves. Todos com seus dons e méritos, mas Rubem era o meu favorito.

Talvez porque ele soube ver a beleza de Deus na criação, nas coisas simples da vida; talvez porque ele entendeu que educar uma criança envolve amor e paixão acima de tudo.
Assim como em Ostra feliz não faz pérola, e outras obras e textos, ele faz poesia com a beleza das coisas, com a natureza, com o amor, com a solidão, com a dor e a morte.

"A beleza é a face visível de Deus." (pág. 16)

"O ato de ver é uma oração (...) Quem experimenta a beleza está em comunhão com o sagrado." (pág. 19)

"Toda alma é uma música que se toca (...). A poesia revela a comunhão." (pág. 22)

"A poesia opera ressurreições." (pág. 33)

"Os olhos dos poetas são sempre olhos que se despedem." (pág. 37)

"E, no entanto, é isto que nós somos, sem que tenhamos coragem para dizê-lo: um adeus." (pág 67)

"A paixão é uma perturbação da tranquilidade da alma." (pág. 115)

Ler Rubem é como brincar: faz bem para a alma!

Boa leitura.

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

As boas mulheres da China

Xinran
Companhia das Letras - 256 páginas

"Eu costumava sonhar que encontraria um jeito de lavar minha dor, mas será que posso lavar a minha vida? Posso lavar o meu passado e o meu futuro?" (Hongxue - página 40)

Graças a uma superamiga Stefanie Kung (minha chinesinha favorita!), pude ler essa obra incrível!

Durante oito anos (1989-1997), Xinran apresentou um programa de rádio noturno na China, voltado para as mulheres. Nesse período, ela ouviu muitos relatos de abuso, dor, humilhação e desespero e conseguiu abrir um espaço na programação para conversar a respeito.

Além disso, ela conheceu muitas dessas vítimas em suas visitas a campo e percebeu que o mundo não sabia nada dos horrores pelas quais milhares de mulheres havia passado na época da Revolução Cultural (1966-1976).

Nesse livro-denúncia, lemos relatos absurdos, como a de Hongxue, uma garota de 17 anos, que sofria abuso sexual do pai desde o início da adolescência e que preferia se machucar para ficar internada em um hospital, do que "viver" sendo humilhada. Ali, pelo menos, ela tinha a companhia de uma mosca, que a acariciava.

Conhecemos também o drama de Hua'er, violentada em nome da "reeducação" política e a história de uma catadora de lixo, que tem um filho político bem-sucedido, mas vive nas ruas por escolha própria.

Até mesmo diante de uma catástrofe, aconteceram atrocidades. Em 1976, houve um terremoto em Tangshan, que matou cerca de 300 mil pessoas. Yang perdeu seu filha de 14 anos, depois de 14 dias em que ela ficou pendurada nos escombros do prédio em que moravam. Já Xiao Ying, uma garota de 14 anos, ficou louca depois de ter sofrido um estupro coletivo. Sua mãe, Ding, ainda sofreu com o filho que perdeu as pernas e o marido que morreu de ataque cardíaco após tomar conhecimento do que aconteceu à filha.

São muitos os relatos de abuso de poder, tirania, maldade, crueldade na China das décadas de 60 e 70, sobretudo. Em nome da Revolução e da devoção ao Partido, muitas famílias foram destruídas e muita gente perdeu a esperança na humanidade.

"...minha casa é uma mera vitrina de objetos domésticos: não existe comunicação de verdade na família, não há sorrisos nem risos. Quando estamos só nós, tudo o que se ouve são os ruídos da existência animal: comer, beber e ir ao banheiro." (mulher que teve seu casamento arranjado pelo Partido - pág. 121)

"Quarenta e cinco anos de anseio constante por ele fizeram que minhas lágrimas formassem um lago de saudade." (Jingyi, mulher que foi separada do amor de sua vida e o esperou por 45 anos - pág. 158)

"Espero que o amor suavize os calos no seu coração, disse eu.(...)
Obrigada, disse dura, mas é muito melhor estar amortecida do que sentir dor."
(Xinran em conversa com Zhou Ting, mulher que foi traída, difamada e abandona por seu 2º marido)

"Os guardas vermelhos obrigaram Shilin (de 12 anos) a olhar pela janela enquanto interrogavam e torturavam a família Wang. Puxavam-lhe o cabelo e beliscavam as pálpebras para mantê-la acordada vários dias e noites..." (pág. 174)


Vale a pena a leitura, apesar das lágrimas.