sexta-feira, 1 de maio de 2015

Códice Constantino

Paulo L. Maier
Editora Vida - 400 páginas

"Assim eu lhes imploro um milagre dos dias atuais, ou seja, que, apesar de sermos 58 pessoas nesta sala, mantenhamos sigilo absoluto até estarmos prontos a anunciar a descoberta ao mundo." (página 264)

Jon e Shannon Weber fazem uma descoberta que pode abalar o mundo moderno e, em especial, o mundo cristão. 

Em uma biblioteca na Igreja Ortodoxa de São Tiago, em Pella (Jordânia), ela encontrou alguns manuscritos antigos, que marcavam as páginas de umas obras antigas. Depois, já na Grécia, o casal encontrou um códice abandonado em outra biblioteca, localizada no Patriarcado Ecumênico de Istambul. Ambos revelaram a existência de mais versículos no final do Evangelho de Marcos e...uma nova epístola de Atos, no caso 2º Atos! 

A descoberta de Istambul parece se tratar de umas das 50 cópias que Constantino, o Grande, encomendou a Eusébio de Cesaréia em 335 d.C. e que nunca foram encontradas.
Se isso, de fato, fosse comprovado, este novo códice teria uma importância tão grande quanto aos códices Sinaítico, Vaticano e Alexandrino.

No paralelo, Jon, que é professor de Harvard, na disciplina de Estudos sobre o Oriente Médio e fundador do Instituto de Estudos das Origens Cristãs em Cambridge, é desafiado por um respeitado líder muçulmano para um debate, após ter tido um problema de tradução de seu livro no Egito. O texto incorreto sugeria uma ofensa a Maomé e, mesmo tendo sido comprovado o erro de tradução, Jon teve que enfrentar a ira de radicais e também teve de aceitar esse debate.
Enquanto se prepara para o debate, Jon ainda arranja tempo para continuar suas pesquisas sobre a autenticidade das descobertas e atender à imprensa.

São duas tramas em uma, que envolvem o leitor do começo ao fim. Viagens, descobertas, traição, estudos, pesquisas e muita adrenalina estão presentes do começo ao fim. 

Quase que se pode dizer que Paul Maier é uma espécie de Dan Brown cristão, pois segue o estilo do Código da Vinci, apesar de ir para caminho oposto quando suas descobertas reforçam e legitimam os textos bíblicos.

Vale a pena a leitura!

terça-feira, 21 de abril de 2015

Antologia de Poetas Evangélicos

Ebenézer Soares Ferreira (Organizador)
Editora Ultimato - 144 páginas

"A vida é livro sagrado,
tem lições que nos convêm;
seja, pois, livro estudado:
leituras que façam bem."
(Antonio de Campos Gonçalves - página 22)

Amo poesia!
Amo me envolver com as palavras, com os sentimentos que ela produz em mim e fiquei feliz de saber que alguém reuniu poesias cristãs num livro.

São poesias de escritores antigos, conhecidos (como Giógia Júnior, Carlos Nejar, Affonso Romano de Sant´Anna) e de autores novos, contemporâneos (como Mateus Santiago). 

Falam de saudade, da solidão, da morte, da dor. Falam da igreja e do Criador. Falam do ser pai/mãe, falam de amor e falam de preces e orações. Enfim, falam da Vida, pra quem a conhece em Jesus.

Boa leitura!


sexta-feira, 3 de abril de 2015

a máquina de fazer espanhóis

valter hugo mãe
Cosac Naify - 256 páginas

"não a posso deixar aqui sozinha. não estaria sozinha. estaria sozinha de mim, que é a solidão que me interessa e a de que tenho medo." (página 14)

valter hugo é um escritor angolano, que optou por abolir as maiúsculas de sua obra por acreditar que todas as palavras são igualmente importantes e, por isso, merecem o mesmo tratamento. Portanto, ao ler a sua obra, você terá um certo estranhamento inicial, mas logo passa com o arrebatamento do teor dessas palavras.

Nesse livro, ele fala da terceira idade e fala também de morte. O que é envelhecer? Como as pessoas ao nosso redor enxergam os idosos e como eles se veem? 

"porque envelhecer é tornarmo-nos vulneráveis" (pág. 22)

Antonio Jorge da Silva é um barbeiro de 84 anos que perde sua esposa (Laura), num leito de hospital. Sua dor é narrada com sensibilidade e maestria pelo autor:

"estávamos escondidos de todos, eu e a minha mulher morta que não me diria mais nada, por mais insistente que fosse o meu desespero, a minha necessidade de respirar através do seu sorriso. eu e a minha mulher morta que se demitia de continuar a justificar-me a vida e que, abraçando-me como podia,  entregava-me tudo de uma só vez. e eu, incrível, deixava tudo de uma só vez ao cuidado nenhum do medo e recomeçava a gritar. (...) esse é o limite, a desumanidade de se perder quem não se pode perder.  foi como se me dissessem, senhor silva, vamos levar-lhes os olhos e perderá a voz, talvez lhe deixemos os pulmões, mas teremos de levar o coração, e lamentamos muito, não lhe será permitida qualquer felicidade de agora em diante." (pág. 21)

Sua filha, então, decide colocá-lo em um asilo:

"o lar da feliz idade, assim se chama o matadouro para onde fui metido." (pág. 51)

Ele vai para lá triste e decepcionado, se sentindo descartado no fim da vida, mas aos poucos faz amigos no lugar. Entre eles está o Esteves sem metafísica, personagem da poesia de Fernando Pessoa em A Tabacaria (*) que agora está para completar 100 anos! Há também o Anísio dos olhos que brilham, o outro Silva, o senhor Pereira, e os outros idosos, que perfazem sempre 93 internos, sem contar o Américo (funcionário), o doutor Bernardo e os demais funcionários.

"éramos velhos tolos a trazer da tolice uma promessa de vida qualquer." (pág. 76)

Antonio tem uma raiva dentro de si, e se perturba para dormir, já que vive tendo pesadelos com pássaros que lhe atacam. Não crê em Deus, nem nos santos, apesar de simpatizar com a imagem de Fátima, a qual chama de Mariazinha com as pombinhas, pela companhia que esta lhe faz. E tem a angústia como companheira constante.

O livro tem trechos duros, mas também tem o lado humano, da amizade e cumplicidade e do amor.

Vale a pena a leitura!




(*) Aquela que começa assim:
"Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo."
Leia na íntegra aqui!




segunda-feira, 23 de março de 2015

As Crônicas de Gelo e Fogo: A Dança dos Dragões - Livro 5

George R.R. Martin
Leya - 870 páginas

"Todo tolo gosta de ouvir que é importante."
(Tyrion Lannister, página 376)

Nesse volume, voltamos um pouco no tempo para saber o que aconteceu com Jon Snow, Tyrion, Daenerys, Davos, Stannis e Theon Greyjoy  que, em O Festim dos Corvos, tinham "desaparecido" da trama.

Jon Snow teve muitas perdas e precisa tomar uma decisão de vida ou morte, que envolve uma possível aliança com os selvagens.

Theon Greyjoy sobrevive como o cão de Ramsay Bolton e ganha o nome de "Fedor". Seu patrão, por sua vez, irá se casar com uma moça de linhagem nobre. Theon sabe a verdade a respeito da pretendente, mas terá coragem para fazer o que deve ser feito?

Daenerys vive como rainha em Meereen e decide as causas de seus "filhos" até que precisa tomar uma decisão importante: com quem deve se casar? Com seu amado Daario Naharis ou Hizdahr zo Loraq, que lhe promete a paz no reino? Ou o melhor seria escolher o jovem Quentyn Martell?

"Conte-me as coisas que a deixam feliz, as coisas que a fazem dar risada, todas as suas mais doces lembranças. Recorde-me que ainda há bondade no mundo."
(Daenerys Targaryen - pág.571)

Stannis não desiste de conquistar seu reinado e enfrenta a pior nevasca de sua vida para dominar os Bolton e tomar Winterfell. Será que irá conseguir?

E Victarion, das Ilhas de Ferro, irá sobreviver às tempestades no mar?

De Sansa, não temos notícias, mas de Arya sim. Pouca coisa, já que está em Bravos, servindo a Casa do Preto e Branco.

E o anão? Ah, ele aparece viajando pelos mares distantes de Bravos, Volantis e outros lugares distantes até que precisa tomar uma decisão difícil, mas vital.

Cersei aparece no final e precisa arcar com as consequências de seus atos. Mas, como ela tem o sangue dos leões, já dá pra imaginar o quanto ela irá lutar para se levantar e seguir em frente.

As traições, guerras e as disputas pelo poder continuam de forma mais que intensa e cruel, prendendo o leitor na leitura do começo ao fim.

Como bem disse Jojen:

"Um leitor vive mil vida antes de morrer. O homem que nunca lê vive apenas uma." (pág. 388)

Aqui, literalmente, vivemos essas mil vidas. E como!

Boa leitura!

terça-feira, 17 de março de 2015

Para sempre Alice

Lisa Genova
Editora Nova Fronteira - 283 páginas

"Meus ontens estão desaparecendo e meus amanhãs são incertos." (página 241)

Alice Howland é professora titular de psicologia na Universidade de Harward. Seus trabalhos são na área da psicolinguística e ela já escreveu um livro a 4 mãos com seu marido, biólogo, e professor na mesma universidade, além de diversos textos e artigos científicos. Tem 3 filhos e leva uma vida agitada com aulas, palestras e viagens. Aos 50 anos, ainda arranja tempo e disposição para correr diariamente. 

Porém, um dia em uma palestra, ela esquece uma palavra.
"Tinha uma vaga ideia do que queria dizer, mas a palavra em si lhe escapou. Sumiu." (pág. 15)

A partir daí, casos semelhantes começam a ocorrer esporadicamente no começo, e com mais frequência nos meses seguintes.

Alice decide, então, procurar ajuda médica e recebe o diagnóstico: mal de Alzheimer de instalação precoce.

A vida dela muda da noite para o dia: como seguir com a carreira e com seus planos? E seu casamento? Como lidar com os filhos?

De forma sensível e delicada, a autora nos conduz para o mundo de Alice que, dia a dia, luta para manter sua lucidez e memória, apesar das investidas da doença.

Trata-se de um livro maravilhoso que deixa um nó na garganta: e se acontecer com a gente? E se acontecer com quem a gente ama?

Ainda não vi o filme que está em cartaz nos cinemas, mas pretendo assistir. Abaixo, segue o trailer:



Boa leitura!


Curiosidade: no livro, Alice tem cabelos cacheados e isso é mencionado algumas vezes. Porém, para divulgar o filme em que Julianne Moore a interpreta, decidiram mudar a capa com uma foto dela de cabelos lisos! Bom, pra mim, livro é livro e filme é filme. Que a mudança ocorra no filme OK, mas no livro, vamos respeitar a ideia da autora, né?

Crônicas de um amor crônico

Priscila Rôde e Moreno Pessoa (Organizadores)
Editora Penalux - 128 páginas

"... só há uma maneira de experimentar o amor em sua forma mais comprometedora: doando-se.
Nada dá aquele que se protege quando dá."
(Laion Monteiro - página 86)

Ler crônicas é uma delícia. Mas ler crônicas que pessoas queridas escreveram, torna o prazer da leitura duplamente delicioso!

Essa coletânea de crônicas reúne grandes talentos (dos quais conheço alguns), que escrevem sobre o sentimento mais nobre e universal: o amor.

Laion Monteiro, Lucas Lujan, Rita Schultz, Van Luchiari e outros despejam sensibilidade em seus textos. Suas crônicas são para ler e degustar; para memorizar e refletir; para sorrir e chorar; para contemplar e encarnar.

"Eu desesperei do porvir, quis te fazer futuro antes que este chegasse, desse modo, enlacei-me naquele momento/presente como se dele jamais pudesse sair." 
Wellington Martins - pág 25

"...ausência também é uma forma de ocupar espaço.
Danilo M Martinho - pág. 28

"O que queremos de fato do amor é que ele nos dê férias do dia-a-dia que tedioso se repete como uma engrenagem..." 
Guilherme Antunes - pág. 42

"Quando se ama não há vencedor." 
Laion Monteiro - pág. 87

"No amor, passado, presente e futuro estão entrelaçados irreversivelmente." 
Ana Suy - pág. 91

"Penso que nem te amo mais, só sinto sua falta em tempo integral...Talvez o amor tenha acabado, mas se você estivesse aqui comigo, minha paz teria nome." 
Karla Fioravante - pág. 103

"O amor é todo dia. Engana-se quem pensa que a rotina é o desprezo do amor. O amor é cotidiano porque não acontece no singular. O amor não sobrevive solitário. Amor sozinho é amputação, é gangorra pra um. O amor é cotidiano porque consegue acontecer sempre."
Tâmara Abdulhamid - pág. 45. A crônica "O amor é rotina" é lindaaaaa!

Ficou com vontade de ler mais? Compre o livro direto com a Editora Penalux.
Vale a pena!

domingo, 22 de fevereiro de 2015

O Penúltimo Capítulo

Clarice Pessato
Ed Imprensa Livre - 208 páginas

"Foi no dia 22 de Novembro de 1981, numa tarde de domingo, num momento quando a fortaleza que revestia minha vida se desfez e tudo que eu confiava desabou, o teto caiu, o chão foi tirado debaixo dos meus pés e as paredes desmoronaram; tudo que acreditava se tornou falso, o infinito se tornou finito, o que parecia permanente se desfez e o poder se tornou fraqueza." (página 17)

Assim começa o relato de Clarice em sua biografia: aos 18 anos ela ficou tetraplégica, devido a um sério acidente automobilístico na estrada.
Mais velha dos três irmãos, Clári era uma jovem sonhadora, que estava na faculdade e planejava se casar com o namorado da pequena cidade de Arvorezinha, no interior do RS. Tudo caminhava para isso, até que houve o acidente.

No começo, veio a negação, como era possível ficar assim para sempre? Com força de vontade e fisioterapia, ela lutaria para voltar a andar. Depois, veio a fase de adaptação, como se fosse provisória. Mas uma hora a ficha caiu e aí ela teve que enfrentar a nova realidade.

Como retomar a vida do ponto em que ela parou? É possível estudar e trabalhar nessa situação? Como as pessoas vão reagir?

Clarice conta sua experiência de vida e é impossível não se emocionar com cada obstáculo e cada vitória (sim, ela conseguiu grandes conquistas!).

De onde ela tirou forças pra tudo isso? Da única forma possível: através de sua experiência com Jesus. O sorriso nos seus lábios nasceu daí, sua alegria passou a contagiar a todos que a cercavam e ela se tornou sal e luz nesse mundo de aparências e vaidades.

"...nós podemos ser bem-aventurados mesmo com a adversidade presente em nossa vida..." (pág. 170)

Não tive nem metade dos sofrimentos físicos dela, mas sei o que é sentir dor, parar de andar, passar dias numa UTI e ver seus sonhos desmoronados. Sei também como é sentir a verdadeira Paz, como é sentir alegria em um leito de hospital...
É algo inexplicável! Só quem sente sabe e transborda. E quem está ao redor percebe e é abençoado.

"A nossa história não acaba no ponto final de um livro, e o final feliz é muito mais profundo que "...e foram felizes para sempre". Entender que da tristeza podemos tirar alegria, que as perdas podem se tornar ganhos e que a derrota pode se transformar em vitória, é um trabalho que só um Deus de amor pode fazer." (pág. 18)

Minha oração é para que você, assim como eu e a Clarice, conheça esse Deus e caminhe em Paz e alegria com ele em toda e qualquer situação.

Leitura mais que recomendada; é obrigatória!