segunda-feira, 6 de novembro de 2017

A menina que não sabia ler - vol 2

John Harding
LeYa - 288 páginas

"Aparências, aparências! Como é fácil julgar que é louco um homem são e que é são um louco!" (página 52)

Apesar de não parecer, esse livro é continuação do anterior. Depois daquele final absurdo, ficamos sem saber o destino de alguns personagens. Longe de explicar o que aconteceu, temos um deles de volta: Florence, agora com o nome de Jane Pomba, já que ela não se lembra de seu nome e nem de onde veio.

Jane está em um hospício numa ilha, com diversas mulheres. O tratamento que o dr Morgan faz com elas é desumano: banhos gelados, restrição alimentar e horas presas em cadeiras de "contenção", tudo para ensiná-las a se comportar.

É assim que o dr John Shepherd chega na ilha, para seu novo emprego como assistente do dr Morgan. John, aliás, roubou essa identidade de outra pessoa em um acidente de trem e, por sorte, se viu livre de seu triste destino para recomeçar a vida nesse lugar distante. Por isso, ele chega de mala e cuia no local, sem despertar suspeitas.

John se assusta com o tratamento dado às mulheres e pede ao dr Morgan para usar um tratamento mais humano com uma das pacientes. Ele aceita e a escolhida é Jane Pomba, uma jovem que mal sabe falar e não recorda nada sua vida, nem seu nome.

O tratamento começa e algumas coisas acontecem ao redor de John, que o deixa sempre alerta: será que desconfiam de alguma coisa acerca dele? E se alguém descobre que ele não é o dr John verdadeiro?

Todos parecem esconder algum segredo e a trama vai te envolvendo. O final também é surpreendente, mas ainda ficam algumas pontas soltas do livro anterior, que não foram respondidas. Será que vem um volume 3 por aí ou o lance do autor é deixar tudo em aberto mesmo?

Boa leitura!



terça-feira, 31 de outubro de 2017

A menina que não sabia ler

John Harding
LeYa - 288 páginas

"Propus-lhe um acordo. Eu lhe daria permissão para o beijo que tanto desejava se ele escrevesse um poema para mim." (página 19)

Assim que soube que ia ficar de molho por algumas semanas, uma amiga trouxe dois livros para eu ler: este e o volume dois. Ela, porém, fez o alerta - Não sei se você vai gostar. Eu nunca tinha lido um livro assim. Leia e depois a gente conversa.

Fiquei curiosa, claro, e comecei a ler a história de Florence e Giles, dois meio-irmãos órfãos, que são criados num casarão na Nova Inglaterra, em 1891, pelos empregados do tio misterioso e ausente.

Florence tem 12 anos e Giles, oito. Por ordens do tio, ela não devia aprender a ler, apenas a costurar e a fazer tarefas femininas. Já o irmão, depois de uma experiência em um colégio interno, passa a ser educado em casa por uma preceptora, a srta Whitaker. Flo, porém, descobre um aposento "proibido" na casa: uma biblioteca e, usando de várias estratégias, consegue frequentá-la e aprende a ler por conta própria. Lê de tudo um pouco, mas se apaixona por Shakespeare:

"Chorei pelo rei Lear, fiquei com medo de Otelo e aterrorizada com Macbeth; Hamlet, simplesmente adorei. Os sonetos emocionaram-me." (pág 17)

Uma tragédia, porém, faz com que venha outra preceptora (srta Taylor) e a vida de Florence começa a se complicar, já que ela acredita que a mulher veio com más intenções. 

Este não é um tipo de livro que eu curta (tem coisas muito macabras!), apesar do comecinho me enganar, mas li até o fim pela curiosidade. Fantasia ou realidade: o que de fato aconteceu naquela casa nos meses seguintes? O final é surpreendente e não sei até agora o que pensar.

Pra quem curte um terror, vai amar.

Boa leitura!

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Americanah

Chimamanda Ngozi Adichie
Companhia das Letras - 520 páginas

"...ela parou de sonhar. Estava com medo demais de ter esperanças..." (página 111)

Ifemelu é uma jovem que vive em Lagos, Nigéria, e vive a vida típica de uma jovem da sua idade. Estuda, namora (Obinze), curte os amigos e tem planos para o futuro. Porém, estamos nos anos 90 e o país é governado por um regime militar. As faculdades vivem em greve e a perspectiva de uma vida melhor se encontra em Londres ou nos Estados Unidos.

Ifemelu, então, junta seus poucos recursos e vai para os EUA para estudar. Lá, ela se depara, pela primeira vez, com o racismo. Cor da pele, que nunca significou nada, passa a ser determinante para conseguir emprego, ser aceita nos grupinhos ou, até, para encontrar um namorado. Mas, e Obinze, seu namorado nigeriano? Bom, ele não conseguiu o visto para acompanhar a namorada e, por motivos diversos, foi parar em Londres. O namoro deles, que era tão puro e verdadeiro, é colocado à prova graças a um terrível episódio na vida de Ifemelu e, durante anos, cada um vai construindo - e desconstruindo também - suas vidas.

O livro é uma daquelas obras que você devora e se pergunta porque não leu antes. Ficção e realidade se entrelaçam: temos o atentado das torres gêmeas, a eleição de Obama, a discussão acerca dos imigrantes permeando toda a trama.

Se estiver em dúvida em qual livro ler ainda esse ano, já achou. Ele é apaixonante.

Boa leitura!

sábado, 2 de setembro de 2017

As cores da vida

Kristin Hannah
Ed Arqueiro - 352 páginas

"- O que você está fazendo?
- Um desenho da gente. (...) A mamãe vai conseguir ver do céu, não vai?" (página 9)

Vivi Ann Grey tinha apenas 12 anos, quando fez essa pergunta para Winona, sua irmã de 15. Acabara de perder a mãe e agora seriam apenas elas, a outra irmã (Aurora) de 14 anos e o pai no rancho da família. Ah, e tinha também Clementine, a égua de estimação da mãe.

Treze anos depois, as irmãs continuaram unidas, apesar das mudanças da vida: Aurora se casou e teve um casal de gêmeos, Winoma virou uma advogada bem-sucedida e Vivi Ann continuou no rancho com o pai, participando de competições com Clem e dando aulas de montaria para as meninas da região.

Tudo caminhava relativamente bem até que Vivi Ann ficou noiva. O que era para ser festa para os Grey acabou se tornando uma tragédia familiar: será que o amor entre as irmãs podia acabar? Haveria lugar para o perdão mútuo? Como cada uma iria sair do fundo do seu poço particular?

É uma trama bem escrita, que te prende e faz com que você, a cada momento, torça por uma das irmãs. É fácil tomar a dor de cada uma e, ao mesmo tempo, é fácil ficar com raiva também! Relacionamentos são assim: todos erram, mesmo que não queiram, e o ônus a pagar muitas vezes é bem alto. Mas sempre existe uma saída e quando enxergamos que pequenos gestos fazem a diferença as coisas começam a mudar...e pra melhor.

Vale a pena a leitura!




sábado, 19 de agosto de 2017

A presença

Bill Johnson
Ed Luz às Nações - 200 páginas

"Nós recebemos um dos maiores privilégios de todos os tempos - abundância de esperança num tempo sem esperança." (página 83)

Esse é um livro que te incentiva a buscar mais da presença de Deus, através do Espírito Santo.

"Viver com consciência contínua de Deus deve ser uma meta suprema para qualquer um que compreende o privilégio de hospedá-lo." (pág. 153)

Com exemplos bíblicos, pessoais e de conhecidos, o autor mostra como isso é possível e quais os frutos dessa busca.

"Domínio próprio não é a capacidade de dizer não para milhares de outras vozes, é a capacidade de dizer sim para uma única coisa a ponto de não sobrar nada para dar às outras opções." (pág. 183)

Um livro imprescindível para o cristão que quer alimentar sua fé e crescer rumo à maturidade espiritual.

"O necessário não é menos Dele. É necessário que todos nós sejamos cobertos e preenchidos por tudo Dele!" (pág.77)

Boa leitura!

sábado, 5 de agosto de 2017

Seis anos depois

Harlan Coben
Editora Arqueiro - 272 páginas

"Todos têm seus sonhos, esperanças, vontades, desejos e mágoas. Todos têm um tipo próprio de loucura."
Página 18

Jake Fisher conheceu o amor da sua vida num retiro para artistas: Natalie Avery, uma jovem pintora, com quem trocou juras de amor e viveu meses inesquecíveis. Tudo ia bem até que ela rompeu o namoro e o comunicou que estava voltando para um ex-namorado, com quem, dias depois, trocou alianças numa capela.

"Sentei-me no último banco da igreja e fiquei assistindo à única mulher que amaria na vida se casar com outro homem." (pág. 7)

O golpe foi duro e o pior foi ter de jurar que a deixaria em paz. 
O sonho acabou e ele teria de seguir em frente, sem olhar pra trás.

Jake fez isso por 6 anos e focou sua vida como professor de ciência política em uma faculdade em Lanford até que, um dia, se deparou com o obituário de Tood Sanderson, o marido de Natalie, no feed de notícias da faculdade. 
Por ali, Jake descobriu que Todd tinha 42 anos, dois filhos e era o fundador de uma instituição de caridade chamada Novo Começo. Então, ele não pensou muito e decidiu comparecer ao serviço fúnebre que iria ocorrer em outra cidade. O que ele não sabia é que iria descobrir coisas que jamais ousaria sonhar e iria colocar sua vida (e as das pessoas que o cercam) em risco a partir daí.

Eu nunca tinha lido nada do autor e gostei muito da forma como ele amarra os capítulos e a história como um todo. 
Esse é um tipo de livro que você a começa a ler e, se não se cuidar, vara a noite lendo, pois tem uma trama que prende do começo ao fim (eu li em 3 dias porque me segurei).


Vale a pena a leitura!

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Deuses falsos

Timothy Keller
Thomas Nelson Brasil - 176 páginas

"... o coração do homem toma coisas boas como uma carreira de sucesso, amor, bens materiais, e até a família, e faz delas seus bens últimos. Nosso coração as diviniza..." (página 13)

Hoje, mais do que nunca, vivemos na era do "seja feliz a qualquer preço". Aliás, se você não puder "ser feliz", pelo menos, aparente que você é!

Só que nessa busca pela felicidade eterna, ocupamos nossos corações com deuses como o dinheiro, o amor, o sucesso, o poder, entre outros que, por si só não ruins, mas quando ocupam muito do nosso tempo/pensamento/ações, se tornam nocivos para o nosso viver.

Mas, o que é um ídolo?
"É qualquer coisa que seja mais importante que Deus para você, qualquer coisa que absorva seu coração e imaginação mais que Deus, qualquer coisa que só Deus pode dar." (pág.15)

Para ilustrar a idolatria ao dinheiro, o autor cita exemplos de grandes investidores que, quando se viram diante de uma grande crise econômica e viram seus bens virarem pó, decidiram acabar com a própria vida. Já outros, na mesma situação, cuja vida tinha um outro propósito, seguiram adiante, com um padrão de vida menor, mas não inferior.

"De acordo com a Bíblia, os idólatras fazem três coisas com os ídolos. Amam-nos, confiam neles e lhes obedecem (...) Os que "confiam no dinheiro" sentem que têm o controle de suas vidas e estão seguros por causa das riquezas." (pág. 65)

Mas, o que podemos fazer, já que nosso coração é uma "fábrica de ídolos"?
Primeiro, precisamos identificá-los: Para onde vai seu pensamento quando não há nada exigindo sua atenção? Como você gasta seu dinheiro? "Pelo que você está realmente vivendo?" (pág.148)

Depois, temos de substitui-los> não basta só arrependimento e força de vontade, mas é necessário buscar "as coisas que são do alto", conforme Paulo escreve em Colossenses 3:1-3.
"Isso significa apreciação, alegria e descanso no que Jesus fez por você. Isso envolve adoração alegre, um senso de realidade de Deus na oração." (pág.150)

Ao buscar um relacionamento sincero com Deus, ficará mais fácil identificar nossos ídolos e buscar a alegria e paz que só Deus pode dar. Assim, se a casa cair (perdermos a saúde, o emprego, o alto cargo na empresa etc), estaremos firmes na rocha que é Cristo e seguiremos em frente com fé, paciência e oração.

Boa leitura!

Obs: outros livros do mesmo autor, que li recentemente: Justiça Generosa, O Deus Pródigo e O Ego Transformado.