sábado, 2 de setembro de 2017

As cores da vida

Kristin Hannah
Ed Arqueiro - 352 páginas

"- O que você está fazendo?
- Um desenho da gente. (...) A mamãe vai conseguir ver do céu, não vai?" (página 9)

Vivi Ann Grey tinha apenas 12 anos, quando fez essa pergunta para Winona, sua irmã de 15. Acabara de perder a mãe e agora seriam apenas elas, a outra irmã (Aurora) de 14 anos e o pai no rancho da família. Ah, e tinha também Clementine, a égua de estimação da mãe.

Treze anos depois, as irmãs continuaram unidas, apesar das mudanças da vida: Aurora se casou e teve um casal de gêmeos, Winoma virou uma advogada bem-sucedida e Vivi Ann continuou no rancho com o pai, participando de competições com Clem e dando aulas de montaria para as meninas da região.

Tudo caminhava relativamente bem até que Vivi Ann ficou noiva. O que era para ser festa para os Grey acabou se tornando uma tragédia familiar: será que o amor entre as irmãs podia acabar? Haveria lugar para o perdão mútuo? Como cada uma iria sair do fundo do seu poço particular?

É uma trama bem escrita, que te prende e faz com que você, a cada momento, torça por uma das irmãs. É fácil tomar a dor de cada uma e, ao mesmo tempo, é fácil ficar com raiva também! Relacionamentos são assim: todos erram, mesmo que não queiram, e o ônus a pagar muitas vezes é bem alto. Mas sempre existe uma saída e quando enxergamos que pequenos gestos fazem a diferença as coisas começam a mudar...e pra melhor.

Vale a pena a leitura!




sábado, 19 de agosto de 2017

A presença

Bill Johnson
Ed Luz às Nações - 200 páginas

"Nós recebemos um dos maiores privilégios de todos os tempos - abundância de esperança num tempo sem esperança." (página 83)

Esse é um livro que te incentiva a buscar mais da presença de Deus, através do Espírito Santo.

"Viver com consciência contínua de Deus deve ser uma meta suprema para qualquer um que compreende o privilégio de hospedá-lo." (pág. 153)

Com exemplos bíblicos, pessoais e de conhecidos, o autor mostra como isso é possível e quais os frutos dessa busca.

"Domínio próprio não é a capacidade de dizer não para milhares de outras vozes, é a capacidade de dizer sim para uma única coisa a ponto de não sobrar nada para dar às outras opções." (pág. 183)

Um livro imprescindível para o cristão que quer alimentar sua fé e crescer rumo à maturidade espiritual.

"O necessário não é menos Dele. É necessário que todos nós sejamos cobertos e preenchidos por tudo Dele!" (pág.77)

Boa leitura!

sábado, 5 de agosto de 2017

Seis anos depois

Harlan Coben
Editora Arqueiro - 272 páginas

"Todos têm seus sonhos, esperanças, vontades, desejos e mágoas. Todos têm um tipo próprio de loucura."
Página 18

Jake Fisher conheceu o amor da sua vida num retiro para artistas: Natalie Avery, uma jovem pintora, com quem trocou juras de amor e viveu meses inesquecíveis. Tudo ia bem até que ela rompeu o namoro e o comunicou que estava voltando para um ex-namorado, com quem, dias depois, trocou alianças numa capela.

"Sentei-me no último banco da igreja e fiquei assistindo à única mulher que amaria na vida se casar com outro homem." (pág. 7)

O golpe foi duro e o pior foi ter de jurar que a deixaria em paz. 
O sonho acabou e ele teria de seguir em frente, sem olhar pra trás.

Jake fez isso por 6 anos e focou sua vida como professor de ciência política em uma faculdade em Lanford até que, um dia, se deparou com o obituário de Tood Sanderson, o marido de Natalie, no feed de notícias da faculdade. 
Por ali, Jake descobriu que Todd tinha 42 anos, dois filhos e era o fundador de uma instituição de caridade chamada Novo Começo. Então, ele não pensou muito e decidiu comparecer ao serviço fúnebre que iria ocorrer em outra cidade. O que ele não sabia é que iria descobrir coisas que jamais ousaria sonhar e iria colocar sua vida (e as das pessoas que o cercam) em risco a partir daí.

Eu nunca tinha lido nada do autor e gostei muito da forma como ele amarra os capítulos e a história como um todo. 
Esse é um tipo de livro que você a começa a ler e, se não se cuidar, vara a noite lendo, pois tem uma trama que prende do começo ao fim (eu li em 3 dias porque me segurei).


Vale a pena a leitura!

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Deuses falsos

Timothy Keller
Thomas Nelson Brasil - 176 páginas

"... o coração do homem toma coisas boas como uma carreira de sucesso, amor, bens materiais, e até a família, e faz delas seus bens últimos. Nosso coração as diviniza..." (página 13)

Hoje, mais do que nunca, vivemos na era do "seja feliz a qualquer preço". Aliás, se você não puder "ser feliz", pelo menos, aparente que você é!

Só que nessa busca pela felicidade eterna, ocupamos nossos corações com deuses como o dinheiro, o amor, o sucesso, o poder, entre outros que, por si só não ruins, mas quando ocupam muito do nosso tempo/pensamento/ações, se tornam nocivos para o nosso viver.

Mas, o que é um ídolo?
"É qualquer coisa que seja mais importante que Deus para você, qualquer coisa que absorva seu coração e imaginação mais que Deus, qualquer coisa que só Deus pode dar." (pág.15)

Para ilustrar a idolatria ao dinheiro, o autor cita exemplos de grandes investidores que, quando se viram diante de uma grande crise econômica e viram seus bens virarem pó, decidiram acabar com a própria vida. Já outros, na mesma situação, cuja vida tinha um outro propósito, seguiram adiante, com um padrão de vida menor, mas não inferior.

"De acordo com a Bíblia, os idólatras fazem três coisas com os ídolos. Amam-nos, confiam neles e lhes obedecem (...) Os que "confiam no dinheiro" sentem que têm o controle de suas vidas e estão seguros por causa das riquezas." (pág. 65)

Mas, o que podemos fazer, já que nosso coração é uma "fábrica de ídolos"?
Primeiro, precisamos identificá-los: Para onde vai seu pensamento quando não há nada exigindo sua atenção? Como você gasta seu dinheiro? "Pelo que você está realmente vivendo?" (pág.148)

Depois, temos de substitui-los> não basta só arrependimento e força de vontade, mas é necessário buscar "as coisas que são do alto", conforme Paulo escreve em Colossenses 3:1-3.
"Isso significa apreciação, alegria e descanso no que Jesus fez por você. Isso envolve adoração alegre, um senso de realidade de Deus na oração." (pág.150)

Ao buscar um relacionamento sincero com Deus, ficará mais fácil identificar nossos ídolos e buscar a alegria e paz que só Deus pode dar. Assim, se a casa cair (perdermos a saúde, o emprego, o alto cargo na empresa etc), estaremos firmes na rocha que é Cristo e seguiremos em frente com fé, paciência e oração.

Boa leitura!

Obs: outros livros do mesmo autor, que li recentemente: Justiça Generosa, O Deus Pródigo e O Ego Transformado.



domingo, 18 de junho de 2017

Ego transformado

Timothy Keller
Vida Nova - 48 páginas

"O ego vive chamando a atenção para si mesmo (...) 
Os sentimentos não podem ser feridos! É o ego que se sente machucado." (página 18)

Costumo brincar dizendo que o mundo de hoje é regido pela "umbigolatria": se meu umbigo está feliz (mesmo que aparentemente), faço o que quero, do jeito que quero, doa a que doer. 

Esse livrinho vai tratar justamente desse umbiguinho carente, que implora atenção: o ego.

Ao tomar como base o trecho da segunda carta aos Coríntios que vai do versículo 21 do capítulo 3 ao versículo 7 do capítulo 4, Tim Keller diz que, segundo Paulo, o motivo dos desentendimentos, da falta de paz no mundo e das inimizades entre as pessoas" é o orgulho e a vanglória.

A partir daí, ele passa a falar da condição natural do ego (que é vazio, dolorido, atarefado e frágil) e mostra que é possível transformá-lo.

"na tentativa de preencher o vazio e lidar com seu desconforto, o ego vive se comparando com outras pessoas. E faz isso o tempo todo." (pág.19)

Por fim, o autor fala da humildade que está por trás de um verdadeiro coração transformado: 

"Depois de conversarmos com alguém que tem a humildade do evangelho, o que impressiona é quanto essa pessoa se interessou por nós. Isso porque a essência da humildade resultante do evangelho não é pensar em mim mesmo como se eu fosse mais, nem pensar em mim mesmo como se eu fosse menos; é pensar menos em mim mesmo." (pág.34)

"A humildade verdadeira que brota do evangelho significa ter o ego satisfeito, não inflado." (pág. 35)

Quer saber mais? Então leia esse livreto: é  pequeno no tamanho mas, certamente, vai te edificar muito!

Boa leitura!

Obs: Do mesmo autor, li também Justiça Generosa e O Deus pródigo.

quinta-feira, 15 de junho de 2017

O Deus pródigo

Timothy Keller
Ed Thomas Nelson Brasil - 174 páginas

"É impossível perdoar alguém quando você se sente superior a essa pessoa." (página 80)

Há cerca de 1 mês li Justiça Generosa do mesmo autor e gostei da ênfase que ele deu para algo que deixamos meio de lado: a ajuda aos necessitados, em seus diversos níveis. 

Agora, nessa obra que tem como pano de fundo a parábola do filho pródigo, relatada em Lucas 15:11-32, Tim Keller mostra os dois tipos de filho da história: o mais jovem que pede sua parte na herança ao pai e a dissipa em prazeres e o mais velho, que faz tudo direitinho mas, no fim, reclama da festa que o pai dá por ocasião da volta do seu irmão mais novo. Segundo o autor, ambos os filhos estão perdidos e precisam se reencontrar no amor do pai.

Para Tim "nossas grandes cidades estão repletas de irmãos mais novos que fugiram das igrejas dominadas por irmãos mais velhos." (pág 93). Ou seja, há muito legalismo nas igrejas, que não acolhem devidamente o imaturo na fé e acabam, inclusive, "colaborando" para que este saia da igreja triste e magoado.

Mas a boa notícia é: Deus ama a ambos! O que "precisamos é o amor acolhedor de Deus (...) O pai vai ao encontro de ambos os filhos e expressa o amor por eles, para convencê-los a participar do banquete." (pág 101)

Com lucidez e sabedoria, o autor explica sua tese e dá exemplos de como podemos caminhar rumo à maturidade cristã ao identificar traços de irmão mais novo - ou de irmão mais velho - em nossas vidas.

O banquete está para ser servido: basta uma atitude nossa para garantirmos nosso lugar à mesa junto ao nosso Pai amoroso. O que você precisa abrir mão para participar?

Boa leitura!

segunda-feira, 12 de junho de 2017

A vigésima segunda visita da generosidade

Guilherme Antunes
Ed Penalux - 154 páginas

"A generosidade acrescenta-nos a gratidão. Desfaz enganos. Antecipa-nos verdades ao dizer-nos o óbvio de que a vida sempre se bastou com pouco. Os pássaros de nada precisam no reino dos céus." (página 15)

Há cerca de 1 ano, conheci os textos do Guilherme através da leitura de seu sublime Teoria Geral do Desassossego. Mais uma vez, o autor transborda afetos:

"Guardo-me para os amanhãs que muitas vezes não vivo. Desperdiço-me nos amanhãs que sem eu esperar me consomem. Sonho para me salvar naquilo que ainda não sou. Vivo para realizar aquilo que ainda não sei." (pág.27)

"Amar é verbo sem cobranças. Amor sem promessa tem perfume de gratidão, perfumando-nos e, por consequência, perfumando o outro, sem esperarmos por isso." (pág.77)

"Posso dizer-lhe que sei amar e que fui amado, mas não sei dizer o que o amor é. Pois nos braços do amor morri e das suas mãos à vida tornei, mas não sei o contorno daquilo que me pôs a morrer ou renascer." (pág. 109)

Ele fala sobre medo, desequilíbrios da vida, dor, ansiedade, sonhos, amor, morte, saudades, erros, defeitos e sobre o ato de escrever, de transformar palavras em sentimentos com significados:

"... a vida que nos seus silêncios usa-me para escrever..." (pág.18)

"Costuro na palavra a poesia para fechar feridas." (pág. 22)

"São as palavras do poeta suas amantes: todas grávidas de sonhos." (pág. 67)

A vida é bela - apesar das circunstâncias e de nós mesmos - a partir do momento que mudamos nosso modo de enxergar as coisas e nos transformamos:

"Dói-nos desalojar certezas. Talvez seja a vida apenas isso: desalojar certezas."
(pág. 86)

Boa leitura!