quinta-feira, 6 de julho de 2017

Deuses falsos

Timothy Keller
Thomas Nelson Brasil - 176 páginas

"... o coração do homem toma coisas boas como uma carreira de sucesso, amor, bens materiais, e até a família, e faz delas seus bens últimos. Nosso coração as diviniza..." (página 13)

Hoje, mais do que nunca, vivemos na era do "seja feliz a qualquer preço". Aliás, se você não puder "ser feliz", pelo menos, aparente que você é!

Só que nessa busca pela felicidade eterna, ocupamos nossos corações com deuses como o dinheiro, o amor, o sucesso, o poder, entre outros que, por si só não ruins, mas quando ocupam muito do nosso tempo/pensamento/ações, se tornam nocivos para o nosso viver.

Mas, o que é um ídolo?
"É qualquer coisa que seja mais importante que Deus para você, qualquer coisa que absorva seu coração e imaginação mais que Deus, qualquer coisa que só Deus pode dar." (pág.15)

Para ilustrar a idolatria ao dinheiro, o autor cita exemplos de grandes investidores que, quando se viram diante de uma grande crise econômica e viram seus bens virarem pó, decidiram acabar com a própria vida. Já outros, na mesma situação, cuja vida tinha um outro propósito, seguiram adiante, com um padrão de vida menor, mas não inferior.

"De acordo com a Bíblia, os idólatras fazem três coisas com os ídolos. Amam-nos, confiam neles e lhes obedecem (...) Os que "confiam no dinheiro" sentem que têm o controle de suas vidas e estão seguros por causa das riquezas." (pág. 65)

Mas, o que podemos fazer, já que nosso coração é uma "fábrica de ídolos"?
Primeiro, precisamos identificá-los: Para onde vai seu pensamento quando não há nada exigindo sua atenção? Como você gasta seu dinheiro? "Pelo que você está realmente vivendo?" (pág.148)

Depois, temos de substitui-los> não basta só arrependimento e força de vontade, mas é necessário buscar "as coisas que são do alto", conforme Paulo escreve em Colossenses 3:1-3.
"Isso significa apreciação, alegria e descanso no que Jesus fez por você. Isso envolve adoração alegre, um senso de realidade de Deus na oração." (pág.150)

Ao buscar um relacionamento sincero com Deus, ficará mais fácil identificar nossos ídolos e buscar a alegria e paz que só Deus pode dar. Assim, se a casa cair (perdermos a saúde, o emprego, o alto cargo na empresa etc), estaremos firmes na rocha que é Cristo e seguiremos em frente com fé, paciência e oração.

Boa leitura!

Obs: outros livros do mesmo autor, que li recentemente: Justiça Generosa, O Deus Pródigo e O Ego Transformado.



domingo, 18 de junho de 2017

Ego transformado

Timothy Keller
Vida Nova - 48 páginas

"O ego vive chamando a atenção para si mesmo (...) 
Os sentimentos não podem ser feridos! É o ego que se sente machucado." (página 18)

Costumo brincar dizendo que o mundo de hoje é regido pela "umbigolatria": se meu umbigo está feliz (mesmo que aparentemente), faço o que quero, do jeito que quero, doa a que doer. 

Esse livrinho vai tratar justamente desse umbiguinho carente, que implora atenção: o ego.

Ao tomar como base o trecho da segunda carta aos Coríntios que vai do versículo 21 do capítulo 3 ao versículo 7 do capítulo 4, Tim Keller diz que, segundo Paulo, o motivo dos desentendimentos, da falta de paz no mundo e das inimizades entre as pessoas" é o orgulho e a vanglória.

A partir daí, ele passa a falar da condição natural do ego (que é vazio, dolorido, atarefado e frágil) e mostra que é possível transformá-lo.

"na tentativa de preencher o vazio e lidar com seu desconforto, o ego vive se comparando com outras pessoas. E faz isso o tempo todo." (pág.19)

Por fim, o autor fala da humildade que está por trás de um verdadeiro coração transformado: 

"Depois de conversarmos com alguém que tem a humildade do evangelho, o que impressiona é quanto essa pessoa se interessou por nós. Isso porque a essência da humildade resultante do evangelho não é pensar em mim mesmo como se eu fosse mais, nem pensar em mim mesmo como se eu fosse menos; é pensar menos em mim mesmo." (pág.34)

"A humildade verdadeira que brota do evangelho significa ter o ego satisfeito, não inflado." (pág. 35)

Quer saber mais? Então leia esse livreto: é  pequeno no tamanho mas, certamente, vai te edificar muito!

Boa leitura!

Obs: Do mesmo autor, li também Justiça Generosa e O Deus pródigo.

quinta-feira, 15 de junho de 2017

O Deus pródigo

Timothy Keller
Ed Thomas Nelson Brasil - 174 páginas

"É impossível perdoar alguém quando você se sente superior a essa pessoa." (página 80)

Há cerca de 1 mês li Justiça Generosa do mesmo autor e gostei da ênfase que ele deu para algo que deixamos meio de lado: a ajuda aos necessitados, em seus diversos níveis. 

Agora, nessa obra que tem como pano de fundo a parábola do filho pródigo, relatada em Lucas 15:11-32, Tim Keller mostra os dois tipos de filho da história: o mais jovem que pede sua parte na herança ao pai e a dissipa em prazeres e o mais velho, que faz tudo direitinho mas, no fim, reclama da festa que o pai dá por ocasião da volta do seu irmão mais novo. Segundo o autor, ambos os filhos estão perdidos e precisam se reencontrar no amor do pai.

Para Tim "nossas grandes cidades estão repletas de irmãos mais novos que fugiram das igrejas dominadas por irmãos mais velhos." (pág 93). Ou seja, há muito legalismo nas igrejas, que não acolhem devidamente o imaturo na fé e acabam, inclusive, "colaborando" para que este saia da igreja triste e magoado.

Mas a boa notícia é: Deus ama a ambos! O que "precisamos é o amor acolhedor de Deus (...) O pai vai ao encontro de ambos os filhos e expressa o amor por eles, para convencê-los a participar do banquete." (pág 101)

Com lucidez e sabedoria, o autor explica sua tese e dá exemplos de como podemos caminhar rumo à maturidade cristã ao identificar traços de irmão mais novo - ou de irmão mais velho - em nossas vidas.

O banquete está para ser servido: basta uma atitude nossa para garantirmos nosso lugar à mesa junto ao nosso Pai amoroso. O que você precisa abrir mão para participar?

Boa leitura!

segunda-feira, 12 de junho de 2017

A vigésima segunda visita da generosidade

Guilherme Antunes
Ed Penalux - 154 páginas

"A generosidade acrescenta-nos a gratidão. Desfaz enganos. Antecipa-nos verdades ao dizer-nos o óbvio de que a vida sempre se bastou com pouco. Os pássaros de nada precisam no reino dos céus." (página 15)

Há cerca de 1 ano, conheci os textos do Guilherme através da leitura de seu sublime Teoria Geral do Desassossego. Mais uma vez, o autor transborda afetos:

"Guardo-me para os amanhãs que muitas vezes não vivo. Desperdiço-me nos amanhãs que sem eu esperar me consomem. Sonho para me salvar naquilo que ainda não sou. Vivo para realizar aquilo que ainda não sei." (pág.27)

"Amar é verbo sem cobranças. Amor sem promessa tem perfume de gratidão, perfumando-nos e, por consequência, perfumando o outro, sem esperarmos por isso." (pág.77)

"Posso dizer-lhe que sei amar e que fui amado, mas não sei dizer o que o amor é. Pois nos braços do amor morri e das suas mãos à vida tornei, mas não sei o contorno daquilo que me pôs a morrer ou renascer." (pág. 109)

Ele fala sobre medo, desequilíbrios da vida, dor, ansiedade, sonhos, amor, morte, saudades, erros, defeitos e sobre o ato de escrever, de transformar palavras em sentimentos com significados:

"... a vida que nos seus silêncios usa-me para escrever..." (pág.18)

"Costuro na palavra a poesia para fechar feridas." (pág. 22)

"São as palavras do poeta suas amantes: todas grávidas de sonhos." (pág. 67)

A vida é bela - apesar das circunstâncias e de nós mesmos - a partir do momento que mudamos nosso modo de enxergar as coisas e nos transformamos:

"Dói-nos desalojar certezas. Talvez seja a vida apenas isso: desalojar certezas."
(pág. 86)

Boa leitura!



sexta-feira, 9 de junho de 2017

O navio das noivas

Jojo Moyes
Ed Intrínseca - 384 páginas

"Minhas horas avançam em direção ao nada." (página 176)

O livro começa na Índia em 2002, com uma jovem inglesa e sua avó viajando pelo país. Graças a um pequeno incidente, a senhora se depara com cemitério de navios e reconhece um deles, que marcou a sua vida em 1946.

Depois, o livro avança para a época do pós-guera e passamos a conhecer a vida de 4 jovens: Avice (rica e cheia de caprichos), Jean (uma adolescente maluquinha), Frances (a enfermeira discreta) e Margaret (a amigona grávida). Cada um tem sua história de vida e todas tem o mesmo destino: deixar a Austrália para trás a bordo no navio Victória, junto com cerca de seiscentas e sessenta mulheres, para reencontrar seus maridos na Inglaterra.
Durante as seis semanas de viagem muita coisa acontece, além do cronograma previsto e é impossível não se envolver com cada uma delas e com os seus segredos. 
No começo, pensei que iria me cansar da leitura logo, pois isso aconteceu um pouco com o último que li da Jojo (A Baía da Esperança), mas foi o contrário. Como a avó do começo não é identificada, fiquei curiosa para saber qual das 4 era ela.
Não vou falar mais para não entregar nenhum spoiler sem querer, mas o romance é gostoso de ler e retoma um tempo da história em que amor, promessas e casamento caminhavam juntos. Quando isso não acontecia o que sobrava era dor e vergonha. Da mulher, claro.

Boa leitura!

p.s. se você gostou da resenha, leia também o que escrevi sobre outros livros da autora:  A última carta de amorComo eu era antes de vocêA garota que você deixou para trás.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Depressões

Herta Müller
Editora Globo - 161 páginas

"Tudo parece próximo e, quando nos aproximamos não chegamos lá. Eu nunca entendi essas distâncias. Eu sempre estava atrás dos caminhos, tudo corria à minha frente. Eu só tinha a poeira na face. E em lugar nenhum havia um fim." (página 23)

"Depressões" é um dos 15 contos desse livro, o maior deles, que conta as lembranças de uma menina no campo, sua vida na aldeia com seus pais e avós. Ela não recebe carinho, pelo contrário, só broncas, tapas e bofetadas.

"Toda vez eu caía e começava a chorar, mordia o pente na minha dor e sabia, nesse instante, que não tinha pais, que estes dois não eram ninguém para mim, e me perguntava porque estava sentada nesta casa, nesta cozinha com eles..." (pág. 68)

Há toda uma descrição do campo, dos insetos, das flores e do comportamento da família e da aldeia, que fica em algum lugar de Banat, região limítrofe da Romênia com a Hungria e a Sérvia.

Todos os contos são carregados de tristeza e conformismo. Não há liberdade de ser o que se é, mas o que se esperam que você seja, num mundo que é assim mesmo. 

Como a autora cresceu sob de Ceausescu e mudou para a então Alemanha Oriental, levou consigo o sentimento de seu povo e da opressão que é a vida numa ditadura. Ela recorre a frases curtas, fragmentadas, para que o leitor imagine a beleza ou a dor do momento.

Vale a pena a leitura!


terça-feira, 16 de maio de 2017

Depois de Auschwitz

Eva Schloss
Universo dos livros - 304 páginas

"Somente quando se está encarcerado ou incapaz de tomar suas próprias atitudes, você percebe que um dia inteiro é um período extenso que pode se estender por uma eternidade." (página 83)

Eva nasceu em 1929 na Áustria e tinha uma vida feliz com seus pais (Erich e Fritzi) e irmão mais velho, Heinz, até que estourou a Segunda Guerra Mundial. 

A família fugiu para a Holanda, se separou e ficou escondida até que um dia foi pega, graças à delação de "amigos".

"Fui capturada pelos nazistas no meu aniversário de quinze anos. Era 11 de maio de 1944..." (pág. 88)

A partir daí, começou o inferno na vida dessa jovem: a família foi parar em Auschwitz-Birkenau e sofreu todo tipo de abuso físico, psicológico e moral.

"Eu era agora a prisioneira A/5272 - parte de um processo cujo objetivo era acabar com meu orgulho e com minha identidade." (pág.108).

Uso de baldes sanitários, ratos e insetos na cama, fome, trabalho árduo, frio, humilhações. Imagine tudo isso elevado a enésima potência, já que ainda havia a presença constante de guardas e os castigos.

Ler um livro desses não é fácil: você se depara com o pior do ser humano e não entende nunca como foi possível tanta crueldade. Crianças, adolescentes, famílias inteiras foram dizimadas como vermes. Claro que havia lampejos de solidariedade nesse meio, mas a natureza das maldades era tão gritante, que deixa qualquer um perplexo ao tomar conhecimento.

Eva sobreviveu e, graças a coragem dela de rever suas feridas, conhecemos um poucos mais do Holocausto e dos horrores da guerra.

Boa leitura!