Resenhas de livros que li e, de certa forma, gostei. Muito ou pouco.
Não tenho o objetivo de comparar escolas literárias, estilos, datas, épocas...
Leitura pra mim é diversão e divulgo o lado alegre, poético, lúdico, desafiador de cada livro.
Boa viagem!
"Eis-nos submetidos, hoje, (...) a uma exigência contraditória: amar apaixonadamente, se possível ser amado do mesmo jeito, mas permanecendo autônomo." (página 35) Como viver com o paradoxo do amor, que prega a entrega da paixão e a busca da liberdade? Através de seu ensaio, o filósofo francês fala sobre as metamorfoses do amor na vida da sociedade nos últimos anos. Em que mudamos? "Eros era um deus para os Antigos; para os Modernos, espera-se que faça de nós deuses." (pág 32) E quem são os personagens de uma vida amorosa, num mundo em que as relações se constroem/descontroem continuamente? O ex, os enteados, os filhos de vários relacionamentos, as relações homoafetivas, as barrigas de aluguel. "... estamos em plena criação de novas formas familiares, vivendo a angústia da transição." (pág 148) E mesmo nessa vida familiar tão complexa, ainda é possível amar e celebrar. "Eu celebro a superexcitação que o outro suscita em mim e protesto contra a desordem que ele me mergulha." (pág 75) Novo paradoxo? Sim. Mas então, é ruim apaixonar-se?
"Apaixonar-se é dar relevo às coisas, encarnar-se de novo na densidade do mundo e descobri-lo mais rico, mais consistente do que suspeitávamos." (pág 82) "Amar é antes de mais nada subtrair um ser da comunidade humana, desertificar o mundo e não saber de nada que não seja ele." (pág 86) Como humanos, porém, somos passíveis de erros, de falhas: "Não somos nem heróis nem santos, somos simples humanos com capacidade de dedicação limitada." (pág 119) E mesmo com essa limitação, ainda podemos sonhar, amar e ser felizes. Viver pode não ser fácil, mas com motivos para amar se torna bem mais interessante. Boa leitura!
"...e acontecia com frequência, que sua vida não parecia mais habitar o presente." (página 152)
A perda do pai provoca no autor uma avalanche de sentimentos, que ele precisa por pra fora. E com palavras.
É assim que Auster conta sobre o relacionamento com seu pai, a personalidade fechada dele e o isolamento dos últimos tempos:
"Destituído de paixão por uma coisa, por uma pessoa ou por uma ideia (...) ele conseguiu se manter longe da vida, evitar a imersão no âmago das coisas."
Em suas palavras, o pai foi distante, não fazia força pra se envolver e mal se emocionava (nem quando seu único neto nasceu).
"O mundo ricocheteava nele, se espatifava de encontro a ele, às vezes aderia a ele - mas nunca entrava."
O autor desnuda seu coração ao comentar situações vividas com o pai e escava sua memória nessa árdua tarefa.
Mas ele também mostra o outro lado, como pai do pequeno Daniel e seu distanciamento deste por causa da separação da mulher.
O livro traz percepções maravilhosas sobre relacionamentos, solidão, destino, vida, memória, pensamentos. Não apenas na visão do autor, mas à luz de grandes nomes como Proust, Pascal, Freud, Flaubert, entre outros.
Trata-se de uma leitura envolvente, dolorosa e necessária.
Tudo começou quando soube que ia gravar uma campanha da empresa com o Vitor Belfort. Eu não sabia praticamente nada dele. Apenas o básico: que ele era um lutador de MMA (artes marciais mistas, em tradução livre) e era marido da Joana Prado. Para não passar vergonha, comprei o livro para conhecer um pouquinho mais e tive uma boa surpresa: Vitor Belfort, com toda cara de mau, é um bom garoto. No livro, ele conta da sua infância (imaginem um guri levado, que não parava quieto), adolescência (quando já sonhava em ser lutador) e de sua vida como lutador de MMA nos dias atuais. Como cristão, ele explica os motivos da sua fé, como a oração o ajuda e fala da importância de um lar feliz e estruturado em sua carreira de lutador. "Quando eu oro, além de agradecer, me abro com Deus. Às vezes, nem peço nada. Constrangido por seu amor, prefiro sorrir." É um livro que mostra não só como ele se prepara para as lutas do octógono mas, principalmente, como ele se prepara para as lutas da vida.
"Viver a eternidade é estar presente em cada momento da vida (...) Precisamos aprender a apreciar o momento que Deus nos deu agora."
Boa leitura!
obs: a gravação correu tudo bem, não dei vexame ao conversar com ele e...ainda ganhei um autógrafo no meu livro!