Florence Knapp
Ed Record - 308 páginas
"Eu sinto como se tivesse um propósito. E acho que existe certa paz nisso. Saber quem eu sou, o que eu vim fazer nesse mundo." (página 105)
Cora é casada com Gordon e vive num relacionamento abusivo, tanto do ponto de vista psicológico, como físico. Eles tem uma filha, Maia, que tem 9 anos quando nasce o segundo filho. O marido já escolheu o nome da criança: Gordon, igual o nome dele e do pai (avô do menino). Porém, Cora não gosta do nome e teme que ele venha a ser como o pai e aí que começa a história: qual seria o destino do menino a partir da escolha do nome?
Além de Gordon, surgem mais 2 opções: Bear (escolha da irmãzinha) e Julian (escolha de Cora). E a partir daí a autora nos conta 3 versões de vida desta criança, a cada 7 anos, mostrando o que mudou por causa dessa "pequena" decisão.
Agora imagine um homem abusivo, que manda e desmanda, ter sua vontade negada na escolha do nome do filho. Sim, ele age de forma ignorante e comete um assassinato em uma das versões. Não dá pra contar mais sem cair em spoiler, mas já deu pra imaginar o porquê das diferenças nas trajetórias de vida dessa família.
Em todas, porém, o reflexo negativo da atitude desse homem se faz presente e todos sofrem, cada um a sua maneira conforme a realidade que se desenhou em cada versão.
"A cabeça (estava) cheia de arrependimentos, analisando como seus destinos se moveram despercebidos, como placas tectônicas." (pág 189)
"Existe um poder sutil em abandonar a luta." (pág 296)
É um livro com vários gatilhos, que nos permite ter reflexões profundas, mesmo que não tenhamos passado algo semelhante. Porque, no fundo, a gente sabe que conhece alguém como Cora e dói só de pensar na vida que ela leva (ou levou) com pessoas abusivas.
Vale a pena a leitura!

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