sexta-feira, 14 de abril de 2017

Amor Líquido

Zygmunt Bauman (1925-2017)
Zahar - 192 páginas

"É da natureza do amor (...) ser refém do destino." (página 21)

Esse foi um dos 4 livros que ganhei dos meus colegas de trabalho, pelo meu aniversário, e posso afirmar agora que foi o que mais gostei!

Ler Bauman é viajar em cada linha. É ora concordar, ora discordar, é parar - sempre - pra pensar.
Nosso mundo atual é confuso e concebe a vida e as relações humanas como algo utilitário, descartável, consumível.

"[A parceria] é eminentemente descartável. (...) as mercadorias podem ser trocadas (...) Mas, ainda que cumpram o que delas se espera, não se imagina que permaneçam em uso por muito tempo." (pág.28)

"...quando se entra num relacionamento, as promessas de compromisso são irrelevantes a longo prazo." (pág.29)

"Esta é uma época em que um filho é, acima de tudo, um objeto de consumo emocional." (pág.60)

Vivemos uma vida de ansiedade, pois sempre estamos pensando naquilo que (ainda) não temos e que deveríamos ter para nos fazer felizes/satisfeitos.

"Há sempre a suspeita (...) de que se esteja vivendo uma mentira ou um equívoco, de que algo de importância crucial foi esquecido (...) ou de um tipo desconhecido (...) ainda não foram aproveitadas..." (pág. 75)

Nossos lares não são mais ambientes de intimidade, pois cada um está na sua: "a casa torna-se um centro de lazer multiuso em que os membros da família podem viver, por assim dizer, separadamente lado a lado. " (pág.85)

Avaliamos nossos parceiros e amigos "nas alegrias do consumo" e desprezamos os valores intrínsecos de cada um, ou pelo menos, estamos quase chegando lá.

Por isso, ele afirma: "Amar o próximo como amamos a nós mesmos significaria então respeitar a singularidade de cada um - o valor de nossas diferenças..." (pág. 103)

Para piorar, procuramos viver isolados (mas chamamos isso de "protegidos"), interagindo só com nossos "iguais":

"Quanto mais as pessoas permanecem num ambiente uniforme - na companhia de outras "como elas" (...) mais tornam-se propensas a "desaprender" a arte de negociar um modus convivendi e significados compartilhados." (pág. 137)

"O fato de outros discordarem de nós (...), isso não é um obstáculo no caminho que conduz à comunidade humana. Mas a convicção de que nossas opiniões são toda a verdade (...), assim como nossa crença de que as verdades dos outros, se diferentes da nossa, são "meras opiniões", esse sim é um obstáculo." (pág.180)

Enfim, há muita coisa para refletir na leitura desse pequeno-grande livro, fruto da mente desse pequeno-grande homem.

Vale a pena conferir!


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