Viktor E. Frankl (1905 - 1997)
Editora Vozes
Ouso dizer que nada no mundo contribui tão efetivamente para a sobrevivência, mesmo nas piores condições, como saber que a vida da gente tem um sentido. Há muita sabedoria nas palavras de Nietzsche: "Quem tem por que viver suporta quase qualquer como." (página 129)
Estava para ler esse livro há algum tempo e, como estou me recuperando de uma cirurgia, resolvi botar em dia minha lista de leituras. Confesso que essa foi bem difícil, pois sempre que leio algum relato pessoal acerca dos campos de concentração da 2a Guerra, sofro junto com o autor. É difícil conceber que a maldade humana não tem limites, de forma gratuita.
Mas esse livro não traz apenas relatos da guerra a partir do ponto de vista do autor, que é um psicólogo judeu. Ele tem uma segunda parte que é sobre a "logoterapia", ou seja, na busca de sentido na vida da pessoa.
A partir daí, ele tenta resumir sua teoria de 11 volumes em cerca de 100 páginas, com vários exemplos, sejam de prisioneiros ou capatazes. Aliás, essas atribuições não significavam muita coisa, quando se falava em bondade. Havia colegas maus, que entregavam os que deveria defender e líderes da SS que mantinham sua humanidade. Podiam ser poucos e raros, mas existiam e ele dá alguns exemplos.
Enfim, é uma obra riquíssima, pesada, dura, cheia de relatos que, com certeza, vai fazer você refletir sobre seus problemas e sofrimentos, buscando uma nova perspectiva de sentido.
Boa leitura!
Resenhas de livros que li e, de certa forma, gostei. Muito ou pouco. Não tenho o objetivo de comparar escolas literárias, estilos, datas, épocas... Leitura pra mim é diversão e divulgo o lado alegre, poético, lúdico, desafiador de cada livro. Boa viagem!
domingo, 30 de junho de 2019
sábado, 1 de junho de 2019
Sobre histórias
C.S.Lewis (1898-1963)
Thomas Nelson - 256 páginas
"... o significado de um livro é a série ou o sistema de emoções, reflexões e atitudes produzidas por sua leitura."(página 233)
Esse livro é uma coletânea de 20 ensaios com a temática voltada para a escrita, produção de textos, gostos diversos pela leitura e pelas diversas formas de se apreciar e criticar uma obra.
A maioria dos capítulos aborda obras e autores como se fossem conhecidos de todos. J.R.R.Tolkien (de O Senhor dos Anéis) e George Orwell (de 1984 e A Revolução dos Bichos) são nomes comumente conhecidos e a leitura desses textos é enriquecedora demais. O espanto que tive ao ler A Revolução dos Bichos no ginásio, parece ter sido o mesmo que Lewis teve: é uma "obra de gênio", pensei assim como ele. Como conseguimos ser os mesmos depois de ler autores desse porte? Impossível. São leituras que te mudam e arrebatam.
Porém, ao falar de autores menos conhecidos (pelo menos na nossa realidade atual) em alguns ensaios, a leitura se torna meio cansativa (mas nada que desmereça a obra como um todo).
Assim como Lewis, amo os contos de fadas, e por isso me encantei com as Crônicas de Nárnia, as quais li e reli algumas vezes (aliás, preciso reler de novo!).
"O homem literário relê, outros homens simplesmente leem." (pág. 201)
Queria ter disposição para reler mais... quanto livro que amei e só li uma vez?
Por fim, um dos capítulos mais interessantes fala de como surgiu a ideia de escrever O leão, a feiticeira e guarda-roupa:
"... começou com a imagem de um Fauno carregando um guarda-chuva e de um pacote em uma floresta nevada (...) Além disso, não sei de onde nem porque veio o Leão ou por que ele veio. Mas, já que estava lá, Ele cooperou com a história toda, e logo puxou as outras seis histórias de Nárnia depois de Si." (pág 101)
Essa imagem surgiu ao 16 anos, mas ele só veio a escrever a obra quando já estava na casa dos 40.
"... um homem que escreve uma história está empolgado demais com a história em si para relaxar e perceber como está fazendo isso (...) Não acredito que alguém saiba exatamente como 'se inventa coisas'" (páginas 101 e 102)
O fato é que ele inventou uma das minhas obras favoritas. Não fui mais a mesma depois de ler Nárnia na minha infância.
Boa leitura!
Obs
Outras obras que li e amei: Cristianismo puro e simples e Cartas de um diabo a seu aprendiz.
Thomas Nelson - 256 páginas
"... o significado de um livro é a série ou o sistema de emoções, reflexões e atitudes produzidas por sua leitura."(página 233)
Esse livro é uma coletânea de 20 ensaios com a temática voltada para a escrita, produção de textos, gostos diversos pela leitura e pelas diversas formas de se apreciar e criticar uma obra.
A maioria dos capítulos aborda obras e autores como se fossem conhecidos de todos. J.R.R.Tolkien (de O Senhor dos Anéis) e George Orwell (de 1984 e A Revolução dos Bichos) são nomes comumente conhecidos e a leitura desses textos é enriquecedora demais. O espanto que tive ao ler A Revolução dos Bichos no ginásio, parece ter sido o mesmo que Lewis teve: é uma "obra de gênio", pensei assim como ele. Como conseguimos ser os mesmos depois de ler autores desse porte? Impossível. São leituras que te mudam e arrebatam.
Porém, ao falar de autores menos conhecidos (pelo menos na nossa realidade atual) em alguns ensaios, a leitura se torna meio cansativa (mas nada que desmereça a obra como um todo).
Assim como Lewis, amo os contos de fadas, e por isso me encantei com as Crônicas de Nárnia, as quais li e reli algumas vezes (aliás, preciso reler de novo!).
"O homem literário relê, outros homens simplesmente leem." (pág. 201)
Queria ter disposição para reler mais... quanto livro que amei e só li uma vez?
Por fim, um dos capítulos mais interessantes fala de como surgiu a ideia de escrever O leão, a feiticeira e guarda-roupa:
"... começou com a imagem de um Fauno carregando um guarda-chuva e de um pacote em uma floresta nevada (...) Além disso, não sei de onde nem porque veio o Leão ou por que ele veio. Mas, já que estava lá, Ele cooperou com a história toda, e logo puxou as outras seis histórias de Nárnia depois de Si." (pág 101)
Essa imagem surgiu ao 16 anos, mas ele só veio a escrever a obra quando já estava na casa dos 40.
"... um homem que escreve uma história está empolgado demais com a história em si para relaxar e perceber como está fazendo isso (...) Não acredito que alguém saiba exatamente como 'se inventa coisas'" (páginas 101 e 102)
O fato é que ele inventou uma das minhas obras favoritas. Não fui mais a mesma depois de ler Nárnia na minha infância.
Boa leitura!
Obs
Outras obras que li e amei: Cristianismo puro e simples e Cartas de um diabo a seu aprendiz.
sábado, 20 de abril de 2019
A última noite do mundo
C.S Lewis (1898-1963)
Thomas Nelson - 144 páginas
"Quanto mais altas as pretensões do poder, mais intrometido, desumano e opressivo ele será." (página 53)
Aprendi a amar C.S Lewis na minha adolescência com a leitura de O leão, a feiticeira e o guarda-roupa. Li e reli várias vezes desde então não só ele, mas todos os 7 volumes da obra.
A última noite do mundo reúne 7 ensaios escritos entre 1952 e 1959, sendo que um deles leva o nome do livro, e aborda temas diversos: oração, crenças, obras, cultura, religião, política, redenção, fins dos tempos.
Aqui também temos um capítulo em que um demônio dá dicas de tentação para os jovens capetinhas. Sai o tio Fitafuso (de Cartas de um diabo a seu aprendiz) e entra Maldanado, com a manipulação em torno do "eu sou tão bom quanto você" no meio político e educacional. Neste último, aliás, ao tentar igualar todos no mesmo nível, acabamos perdendo grandes talentos que precisam acompanhar o ritmo da "turma", sem ter espaço para crescer e evoluir.
As "diferenças precisam ser disfarçadas, (...) assim, o aluno mais inteligente permanecerá democraticamente acorrentado a seus colegas da mesma idade por toda a sua carreira escolar, e um menino capaz de compreender Ésquilo ou Dante será obrigado a ficar sentado, ouvindo seus contemporâneos tentando soletrar Vovô viu a uva." (pags 81 e 82)
Humor e ironia andam lado a lado, sempre com bom senso e lucidez.
Em "Religião e foguetes", ele abre espaço para suposições acerca do universo: estamos sós? Existem outros animais (racionais ou não)? Eles também precisam de redenção?
Por fim, em "A última noite do mundo", ele fala sobre a necessidade de estarmos preparados para a 2a vinda de Jesus:
"... o que a morte é para cada homem, a Segunda Vinda é para toda a raça humana." (pág 131)
Se o alerta valia no século passado, imagine agora?
Boa leitura!
p.s. li também e indico: Cristianismo puro e simples e Oração:cartas a Malcolm.
Thomas Nelson - 144 páginas
"Quanto mais altas as pretensões do poder, mais intrometido, desumano e opressivo ele será." (página 53)
Aprendi a amar C.S Lewis na minha adolescência com a leitura de O leão, a feiticeira e o guarda-roupa. Li e reli várias vezes desde então não só ele, mas todos os 7 volumes da obra.
A última noite do mundo reúne 7 ensaios escritos entre 1952 e 1959, sendo que um deles leva o nome do livro, e aborda temas diversos: oração, crenças, obras, cultura, religião, política, redenção, fins dos tempos.
Aqui também temos um capítulo em que um demônio dá dicas de tentação para os jovens capetinhas. Sai o tio Fitafuso (de Cartas de um diabo a seu aprendiz) e entra Maldanado, com a manipulação em torno do "eu sou tão bom quanto você" no meio político e educacional. Neste último, aliás, ao tentar igualar todos no mesmo nível, acabamos perdendo grandes talentos que precisam acompanhar o ritmo da "turma", sem ter espaço para crescer e evoluir.
As "diferenças precisam ser disfarçadas, (...) assim, o aluno mais inteligente permanecerá democraticamente acorrentado a seus colegas da mesma idade por toda a sua carreira escolar, e um menino capaz de compreender Ésquilo ou Dante será obrigado a ficar sentado, ouvindo seus contemporâneos tentando soletrar Vovô viu a uva." (pags 81 e 82)
Humor e ironia andam lado a lado, sempre com bom senso e lucidez.
Em "Religião e foguetes", ele abre espaço para suposições acerca do universo: estamos sós? Existem outros animais (racionais ou não)? Eles também precisam de redenção?
Por fim, em "A última noite do mundo", ele fala sobre a necessidade de estarmos preparados para a 2a vinda de Jesus:
"... o que a morte é para cada homem, a Segunda Vinda é para toda a raça humana." (pág 131)
Se o alerta valia no século passado, imagine agora?
Boa leitura!
p.s. li também e indico: Cristianismo puro e simples e Oração:cartas a Malcolm.
domingo, 24 de fevereiro de 2019
O livro dos abraços
Eduardo Galeano (1940-2015)
L&PM Pocket - 272 páginas
"A identidade não é uma peça de museu, quietinha na vitrine, mas a sempre assombrosa síntese das contradições nossas de cada dia." (página 123)
Esse livro é fruto de uma vida no exílio. No caso, o uruguaio Galeano se exilou na Argentina e na Espanha, por causa da ditadura militar em seu país de origem.
As breves crônicas contam "causos", historietas, sonhos e pesadelos de um momento difícil que ele viveu, presenciou, escutou ou soube por alguém. São micromomentos que nos calam ou nos fazem sorrir; que provocam repulsa ou geram uma luzinha de esperança.
"Diego não conhecia o mar (...) E foi tanta a imensidão do mar, e tanto o seu fulgor, que o menino ficou mudo de beleza. E quando finalmente conseguiu falar, tremendo, gaguejando, pediu ao pai: Me ajuda a olhar!" (pág 15)
"O bisavô é feliz porque perdeu a memória que tinha. O bisneto é feliz porque não tem ainda nenhuma memória. Eis aqui, penso, a felicidade perfeita. Não a quero." (pág.109)
"Eu não quero desconfiar dos aplausos." (pág.174)
As memórias falam de outros nomes conhecidos, como Neruda, Nelson Rodrigues, Darcy Ribeiro e o poeta Juan Gelman, por exemplo, em situações que podem ou não ser verdadeiras em sua totalidade. O resultado é de dar um nó na garganta e querer abraçar alguém só pra dizer: "tá tudo bem, agora."
Esse é um livro que cresce, em cada etapa da leitura.
Como o autor mesmo disse: "O livro cresceu tanto dentro dela que agora é outro, agora é dela." (pág.20)
Boa leitura!
L&PM Pocket - 272 páginas
"A identidade não é uma peça de museu, quietinha na vitrine, mas a sempre assombrosa síntese das contradições nossas de cada dia." (página 123)
Esse livro é fruto de uma vida no exílio. No caso, o uruguaio Galeano se exilou na Argentina e na Espanha, por causa da ditadura militar em seu país de origem.
As breves crônicas contam "causos", historietas, sonhos e pesadelos de um momento difícil que ele viveu, presenciou, escutou ou soube por alguém. São micromomentos que nos calam ou nos fazem sorrir; que provocam repulsa ou geram uma luzinha de esperança.
"Diego não conhecia o mar (...) E foi tanta a imensidão do mar, e tanto o seu fulgor, que o menino ficou mudo de beleza. E quando finalmente conseguiu falar, tremendo, gaguejando, pediu ao pai: Me ajuda a olhar!" (pág 15)
"O bisavô é feliz porque perdeu a memória que tinha. O bisneto é feliz porque não tem ainda nenhuma memória. Eis aqui, penso, a felicidade perfeita. Não a quero." (pág.109)
"Eu não quero desconfiar dos aplausos." (pág.174)
As memórias falam de outros nomes conhecidos, como Neruda, Nelson Rodrigues, Darcy Ribeiro e o poeta Juan Gelman, por exemplo, em situações que podem ou não ser verdadeiras em sua totalidade. O resultado é de dar um nó na garganta e querer abraçar alguém só pra dizer: "tá tudo bem, agora."
Esse é um livro que cresce, em cada etapa da leitura.
Como o autor mesmo disse: "O livro cresceu tanto dentro dela que agora é outro, agora é dela." (pág.20)
Boa leitura!
sexta-feira, 25 de janeiro de 2019
Homens imprudentemente poéticos
Valter Hugo Mãe
Editora Globo - 192 páginas
"Estavam vivos e juntos. A felicidade poderia ser aquilo (...)
[ela] está na atenção a um detalhe. Como se o resto se ausentasse para admitir a força de um instante perfeito."
(página 56)
Quando li Hugo Mãe pela 1ª vez (a máquina de fazer espanhóis), tive aquele estranhamento inicial com a forma como ele escrevia: tudo em minúsculas e com pontuação reduzida ao ponto final. Isso logo passou, ao adentrar em sua trama sobre a velhice e morte.
Agora, o autor já usa as maiúsculas, mas ainda é econômico na pontuação. Não há interrogações ou exclamações, por exemplo.
Estamos no Japão antigo, na base de uma montanha frequentada por suicidas, e que possui 2 vizinhos que se odeiam: o artesão Itaro e o oleiro Saburo.
Saburo sofre uma perda e, para purgar seu destino, decide viver cultivando um lindo jardim. Itaro é um exímio artesão que pinta leques para sobreviver, afinal precisa sustentar também sua irmã cega (Matsu) e a criada que o auxilia nas tarefas domésticas e nos cuidados com a menina (Kame, a "mãe perto").
Ambos lutam com seus medos e, no processo, se ferem mutuamente e, de certa forma, também machucam quem está por perto.
Já Matsu se utiliza das palavras para existir, se encantar e encantar todos ao redor.
"... os meus brinquedos são as palavras. Persigo o encantamento de que são capazes." (pág 146)
A vida da menina também sofrerá um revés, mas aí deixo para o leitor descobrir qual é.
Como Laurentino Gomes diz em seu prefácio, esse é "um livro para ler devagar, sem pressa. E para reler muitas vezes."
Boa leitura!
Editora Globo - 192 páginas
"Estavam vivos e juntos. A felicidade poderia ser aquilo (...)
[ela] está na atenção a um detalhe. Como se o resto se ausentasse para admitir a força de um instante perfeito."
(página 56)
Quando li Hugo Mãe pela 1ª vez (a máquina de fazer espanhóis), tive aquele estranhamento inicial com a forma como ele escrevia: tudo em minúsculas e com pontuação reduzida ao ponto final. Isso logo passou, ao adentrar em sua trama sobre a velhice e morte.
Agora, o autor já usa as maiúsculas, mas ainda é econômico na pontuação. Não há interrogações ou exclamações, por exemplo.
Estamos no Japão antigo, na base de uma montanha frequentada por suicidas, e que possui 2 vizinhos que se odeiam: o artesão Itaro e o oleiro Saburo.
Saburo sofre uma perda e, para purgar seu destino, decide viver cultivando um lindo jardim. Itaro é um exímio artesão que pinta leques para sobreviver, afinal precisa sustentar também sua irmã cega (Matsu) e a criada que o auxilia nas tarefas domésticas e nos cuidados com a menina (Kame, a "mãe perto").
Ambos lutam com seus medos e, no processo, se ferem mutuamente e, de certa forma, também machucam quem está por perto.
Já Matsu se utiliza das palavras para existir, se encantar e encantar todos ao redor.
"... os meus brinquedos são as palavras. Persigo o encantamento de que são capazes." (pág 146)
A vida da menina também sofrerá um revés, mas aí deixo para o leitor descobrir qual é.
Como Laurentino Gomes diz em seu prefácio, esse é "um livro para ler devagar, sem pressa. E para reler muitas vezes."
Boa leitura!
sábado, 12 de janeiro de 2019
O homem de giz
C.J. Tudor
Ed Intrínseca - 272 páginas
"Há certas coisas na vida que se pode alterar - o peso, a aparência, até o próprio nome -, porém há outras que são imutáveis, independentemente da força de vontade, do esforço e do trabalho árduo. São estas coisas que nos moldam: não as que podemos mudar, mas as que não podemos." (página 46)
Essa é a obra de estreia de C.J Tudor e, posso dizer, que ela mandou bem ao criar uma trama macabra em torno de 5 crianças, mantendo o tom de suspense do começo ao fim.
Eddie Monstro é o narrador e é quem vai nos dizer o que se passou em 1986 em Anderbury, uma cidade inglesa bem pacata, e o que aconteceu 30 anos depois, quando o assunto em questão volta à tona.
Tudo começou quando um brinquedo do parque de diversões da feira local teve uma pane e machucou seriamente uma garota. Eddie, então com 12 anos, é chamado pelo novo professor (Sr Halloran) para ajudar a socorrê-la e o faz com sucesso. Tudo podia acabar por aí, mas esse episódio foi só o começo de uma série de desventuras e problemas para Eddie e seus quatro amigos, Mickey, Gav, Hoppo e Nicky (a única menina).
"Acho que foi a primeira vez que compreendi como as coisas podem mudar de uma hora para outra. Como tudo o que temos por certo pode ser arrancado de nós." (pág.21)
É interessante ver como a autora consegue criar o ambiente e rotina dessas crianças: o parquinho, os passeios de bicicleta, as festinhas, os códigos secretos com giz, o relacionamento entre pais e filhos, tudo sincronizado no cotidiano delas, às vezes de forma cruel, mas real.
Mas, como elas ficaram 30 anos depois?
"Ser adulto é apenas ilusão (...) Sob o verniz da idade adulta, sob as camadas de experiência que acumulamos à medida que os anos avançam estoicamente, ainda somos crianças (...) que precisam dos pais...e dos amigos." (pág.168)
Cada uma cresceu carregando suas marcas e segredos (muitos serão revelados ao longo da história e são surpreendentes!), e levaram suas vidas de forma simples, sem grandes ambições (ou quase).
Confesso que minha expectativa para esse livro era altíssima pois tinha lido várias críticas favoráveis. Então, posso dizer sem culpa alguma, que me decepcionei um pouco, pois apesar de fechar o livro de forma surpreendente, muitas pontas ficaram soltas, sem explicações. Não que isso comprometa a obra como um todo, mas faltou uma explicaçãozinha aqui e acolá, sabe? Também senti certo desprezo sempre que aparecia algo relacionado à igreja, Deus e religião. Sabe um tipo de birra sem sentido? Algo desnecessário e pueril demais, até pra uma criança de 12 anos...
Mas, de um modo geral, é um livro interessante, que flui rápido (até pela grande quantidade de diálogos), mantém o clima de suspense até o fim e tem personagens carismáticos. Portanto, vale a pena a leitura!
Ed Intrínseca - 272 páginas
"Há certas coisas na vida que se pode alterar - o peso, a aparência, até o próprio nome -, porém há outras que são imutáveis, independentemente da força de vontade, do esforço e do trabalho árduo. São estas coisas que nos moldam: não as que podemos mudar, mas as que não podemos." (página 46)
Essa é a obra de estreia de C.J Tudor e, posso dizer, que ela mandou bem ao criar uma trama macabra em torno de 5 crianças, mantendo o tom de suspense do começo ao fim.
Eddie Monstro é o narrador e é quem vai nos dizer o que se passou em 1986 em Anderbury, uma cidade inglesa bem pacata, e o que aconteceu 30 anos depois, quando o assunto em questão volta à tona.
Tudo começou quando um brinquedo do parque de diversões da feira local teve uma pane e machucou seriamente uma garota. Eddie, então com 12 anos, é chamado pelo novo professor (Sr Halloran) para ajudar a socorrê-la e o faz com sucesso. Tudo podia acabar por aí, mas esse episódio foi só o começo de uma série de desventuras e problemas para Eddie e seus quatro amigos, Mickey, Gav, Hoppo e Nicky (a única menina).
"Acho que foi a primeira vez que compreendi como as coisas podem mudar de uma hora para outra. Como tudo o que temos por certo pode ser arrancado de nós." (pág.21)
É interessante ver como a autora consegue criar o ambiente e rotina dessas crianças: o parquinho, os passeios de bicicleta, as festinhas, os códigos secretos com giz, o relacionamento entre pais e filhos, tudo sincronizado no cotidiano delas, às vezes de forma cruel, mas real.
Mas, como elas ficaram 30 anos depois?
"Ser adulto é apenas ilusão (...) Sob o verniz da idade adulta, sob as camadas de experiência que acumulamos à medida que os anos avançam estoicamente, ainda somos crianças (...) que precisam dos pais...e dos amigos." (pág.168)
Cada uma cresceu carregando suas marcas e segredos (muitos serão revelados ao longo da história e são surpreendentes!), e levaram suas vidas de forma simples, sem grandes ambições (ou quase).
Confesso que minha expectativa para esse livro era altíssima pois tinha lido várias críticas favoráveis. Então, posso dizer sem culpa alguma, que me decepcionei um pouco, pois apesar de fechar o livro de forma surpreendente, muitas pontas ficaram soltas, sem explicações. Não que isso comprometa a obra como um todo, mas faltou uma explicaçãozinha aqui e acolá, sabe? Também senti certo desprezo sempre que aparecia algo relacionado à igreja, Deus e religião. Sabe um tipo de birra sem sentido? Algo desnecessário e pueril demais, até pra uma criança de 12 anos...
Mas, de um modo geral, é um livro interessante, que flui rápido (até pela grande quantidade de diálogos), mantém o clima de suspense até o fim e tem personagens carismáticos. Portanto, vale a pena a leitura!
quinta-feira, 27 de dezembro de 2018
Mulheres sem nome
Martha Hall Kelly
Ed Intrínseca - 496 páginas
"Depois de algumas horas, paramos em Varsóvia, mas logo o trem recomeçou a se movimentar, ganhando velocidade. Nenhuma de nós naquele vagão chorou. Estávamos principalmente mudas; a vergonha daquilo tudo era grande demais para suportar." (página 146)
Livros que são baseados em fatos de guerra me dilaceram e esse não foi diferente.
Aqui temos a história de 3 mulheres no período de 20 anos (de 1939 a 1959): Caroline Ferriday, uma socialite norte-americana que trabalha em prol de órfãos da guerra, no consulado francês; Kasia Kuzmerick, uma jovem polonesa que foi levada cativa para o campo de concentração de Ravensbrück (Alemanha), junto com sua mãe, irmã e cunhada; e Herta Oberheuser, uma jovem médica alemã.
Caroline tem seus dias virados de ponta cabeça quando a guerra é anunciada: o amor de sua vida está na França e ela, em Nova York, não consegue notícias dele. Além disso, o dinheiro se torna escasso para ajudar as crianças órfãs e ela precisa achar alternativas pra levantar recursos para sua causa nobre.
"Depois que Hitler invadiu a Polônia, o ligeiro mau presságio que pairava no ar se transformou em pânico genuíno em todos os consulados de Nova York, e nosso escritório virou um inferno." (pág.58)
Kasia é uma jovem sonhadora, que ama seu melhor amigo e faz de tudo para ajudá-lo na resistência quando a guerra estoura. Ela e sua família, com exceção do pai, são levados para o campo de concentração e sua rotina passa a ser de dor, humilhação e privação.
"A tesoura era fria na minha nuca, e a mulher xingava em alemão enquanto tentava cortar minha trança. A culpa era minha por ter cabelo grosso? Ela jogou a trança em uma pilha de cabelos tão alta que atingia o peitoril da janela..." (pág.165)
Por fim, Herta, uma médica ambiciosa, aceita o convite para ser a única médica no campo de concentração que Kasia está e será a única a saber o paradeiro de alguém muito importante para ela.
"Havíamos preparado objetos para inserir nas feridas [das prisioneiras] e simular ferimentos nas batalhas(...) Cada paciente teria um material infectante diferente introduzido na ferida." (pág. 222)
Não posso ir muito além disso para não estragar as surpresas e as durezas da história, mas posso adiantar que é um livro que você não vai quer parar de ler.
Caroline e Herta são personagens reais. Kasia é uma criação a partir da história de vida de Nina Iwanska e de sua irmã. Só de pensar que pessoas reais inspiraram o livro, dá dor no estômago e falta de ar. Sério.
Se quiser ler o primeiro capítulo, segue link que a editora disponibilizou no site.
Vale a pena a leitura!
Ed Intrínseca - 496 páginas
"Depois de algumas horas, paramos em Varsóvia, mas logo o trem recomeçou a se movimentar, ganhando velocidade. Nenhuma de nós naquele vagão chorou. Estávamos principalmente mudas; a vergonha daquilo tudo era grande demais para suportar." (página 146)
Livros que são baseados em fatos de guerra me dilaceram e esse não foi diferente.
Aqui temos a história de 3 mulheres no período de 20 anos (de 1939 a 1959): Caroline Ferriday, uma socialite norte-americana que trabalha em prol de órfãos da guerra, no consulado francês; Kasia Kuzmerick, uma jovem polonesa que foi levada cativa para o campo de concentração de Ravensbrück (Alemanha), junto com sua mãe, irmã e cunhada; e Herta Oberheuser, uma jovem médica alemã.
Caroline tem seus dias virados de ponta cabeça quando a guerra é anunciada: o amor de sua vida está na França e ela, em Nova York, não consegue notícias dele. Além disso, o dinheiro se torna escasso para ajudar as crianças órfãs e ela precisa achar alternativas pra levantar recursos para sua causa nobre.
"Depois que Hitler invadiu a Polônia, o ligeiro mau presságio que pairava no ar se transformou em pânico genuíno em todos os consulados de Nova York, e nosso escritório virou um inferno." (pág.58)
Kasia é uma jovem sonhadora, que ama seu melhor amigo e faz de tudo para ajudá-lo na resistência quando a guerra estoura. Ela e sua família, com exceção do pai, são levados para o campo de concentração e sua rotina passa a ser de dor, humilhação e privação.
"A tesoura era fria na minha nuca, e a mulher xingava em alemão enquanto tentava cortar minha trança. A culpa era minha por ter cabelo grosso? Ela jogou a trança em uma pilha de cabelos tão alta que atingia o peitoril da janela..." (pág.165)
Por fim, Herta, uma médica ambiciosa, aceita o convite para ser a única médica no campo de concentração que Kasia está e será a única a saber o paradeiro de alguém muito importante para ela.
"Havíamos preparado objetos para inserir nas feridas [das prisioneiras] e simular ferimentos nas batalhas(...) Cada paciente teria um material infectante diferente introduzido na ferida." (pág. 222)
Não posso ir muito além disso para não estragar as surpresas e as durezas da história, mas posso adiantar que é um livro que você não vai quer parar de ler.
Caroline e Herta são personagens reais. Kasia é uma criação a partir da história de vida de Nina Iwanska e de sua irmã. Só de pensar que pessoas reais inspiraram o livro, dá dor no estômago e falta de ar. Sério.
Se quiser ler o primeiro capítulo, segue link que a editora disponibilizou no site.
Vale a pena a leitura!
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