sexta-feira, 24 de julho de 2026

Nunca minta


Freida McFadden
Editora Record - 280 páginas

"Nunca minta para seu terapeuta. Ele sabe quando você está mentindo."

Li A Empregada há uns 3 meses e já virei fã da escrita de Freida, que te envolve do começo ao fim com um suspense implacável e, claro, com muitas reviravoltas!

A autora parece ter encontrado a fórmula perfeita para prender o leitor. Quando comecei Nunca Minta, pensei que estava diante de mais um thriller psicológico envolvendo uma casa isolada, um casal e alguns segredos do passado. E, de certa forma, é exatamente isso, mas também é bem mais que isso.

Tricia e Ethan, recém-casados, visitam uma mansão que pretendem comprar. O problema é que uma forte nevasca os impede de ir embora. A casa pertenceu à renomada psiquiatra Adrienne Hale, desaparecida misteriosamente 3 anos antes, e tudo naquele lugar parece guardar respostas que ninguém deveria encontrar.

Enquanto tenta se distrair, Tricia descobre gravações das sessões de terapia da antiga proprietária num cômodo escondido, que ela descobriu por acaso. A cada fita ouvida, um novo detalhe vem à tona, aumentando a tensão e fazendo com que desconfiemos de praticamente todos os personagens.

A narrativa alterna presente e passado, sob a ótica de Tricia e de Adrienne, em capítulos alternados. Cada capítulo, aliás, termina deixando aquela sensação de "só mais um", e quando percebemos já lemos mais que o previsto. É daqueles livros difíceis de largar.

Gostei muito da construção da narrativa: Quando acreditamos ter descoberto toda a verdade, ela muda a direção da história. E depois muda novamente. Confesso que consegui imaginar inúmeras possibilidades, mas o desfecho conseguiu me surpreender.

Se você gosta de thrillers psicológicos, casas cheias de mistérios, segredos bem guardados e finais que mudam completamente nossa percepção da história, Nunca Minta certamente merece um lugar na sua lista de leituras.

Vale muito a pena a leitura!


sábado, 11 de julho de 2026

A morte de Ivan Ilitch


Liev Tolstói (1828-1920)
Ed Princípia - 96 páginas

"...aquela pessoa, que havia experimentado algo agradável, já não existia: era como se a lembrança fosse de outro."

Em 2023, quando estive internada na UTI, vivi momentos de muita reflexão. Entre máquinas, médicos e o esgotamento diante do caos em que me encontrava, muitas perguntas surgiam em minha mente: E se eu tivesse partido? O que realmente importa nessa vida? Eu estava triste e confusa com a situação, mas não me desesperei porque sabia que Deus estava comigo e isso bastava. Essa certeza me deu forças para enfrentar o medo e acreditar que ficaria bem. Após minha experiência de quase morte (EQM), essa confiança se confirmou: eu voltei porque não tinha chegado a minha vez.

Ao ler A Morte de Ivan Ilitch, de Liev Tolstói, percebo como a ausência dessa fé torna o sofrimento de Ivan ainda mais agudo. Ele, um homem que viveu buscando status e convenções sociais, se vê diante da morte sem esperança. Sua dor não é apenas física, mas existencial. Ivan sente o vazio de uma vida sem sentido maior, sem transcendência.

“Talvez eu não tenha vivido como deveria?”, veio-lhe de repente à cabeça. “Mas como estaria errado, se eu fazia tudo corretamente?”, disse para si mesmo.

O alívio só vem quando, nos últimos instantes, ele confessa e reconhece a verdade de sua condição, mas é um consolo tardio.

"Assim que veio o sacerdote, ele se confessou e se acalmou, sentiu-se como se estivesse aliviado de suas dúvidas e, consequentemente, de seus sofrimentos, e encontrou um momento de esperança. Tornou a pensar no ceco e na possibilidade de corrigi-lo. Recebeu a comunhão com lágrimas nos olhos."

Enquanto eu encontrava paz na certeza de que Deus me sustentava, Ivan Ilitch enfrentava a solidão de quem não construiu sua vida sobre algo eterno. Essa diferença é marcante: a fé transforma o medo em confiança, enquanto a ausência dela pode transformar a dor em desespero.

Minha passagem pela UTI me ensinou que a vida é frágil, mas também preciosa. E que, diante da morte, o que realmente nos fortalece não são títulos ou conquistas, mas a fé, o amor e a esperança que carregamos dentro de nós. Tolstói nos mostra, através de Ivan, o que acontece quando esses pilares faltam. Minha história, ao contrário, é testemunho de que a fé pode iluminar até os momentos mais sombrios.

Boa leitura!

A Governanta


Samantha Rayes
Ed Jangada - 368 páginas

"Meus filhos não estão aqui. E Mary também não."

Imagine perder tudo em um incêndio e, ao buscar refúgio em uma casa temporária, acreditar que finalmente encontrou paz.

Gina, seu marido Matt e seus 2 filhos pequenos são acolhidos na casa de Annie, amiga de infância de Gina, que agora é famosa e está viajando para o exterior. Como o incêndio destruiu tudo, se viram sem ter aonde ir da noite para o dia e Annie foi super gentil em ceder sua mansão enquanto se reorganizam e tomam as medidas junto ao seguro.

Tudo parecia perfeito, inclusive saber que havia uma governanta, Mary, para ajudá-los nas tarefas do dia a dia. Não que Gina precisasse, mas viu que pelo tamanho da casa ela poderia de fato ajudar Gina, além de ter uma companhia.

Porém, algumas coisas estranhas começam a ocorrer e Gina liga seu sexto sentido, ficando apreensiva com a simples presença da mulher: Mary parece saber mais sobre o passado de Gina do que deveria, aproxima-se de seu marido e exerce uma estranha influência sobre os filhos, especialmente quando um segundo elemento entra na trama. 

Aos poucos, a atmosfera doméstica se torna sufocante, e os segredos guardados há mais de vinte anos vêm à tona de uma forma cruel e avassaladora. Gina percebe que precisa lutar por sua vida e por aqueles que ama.

O livro tem alguns furos e controvérsias, do tipo: que amizade foi a das 4 amigas (BFF´s)? Como não perceberam o que ocorreu com uma delas? Entre outros pontos, mas de qualquer forma, a trama é envolvente e tem um plot twist de tirar o fôlego. A Governanta, aliás, vai bem na linha de A Empregada, que li recentemente.

É um livro que mexe com nossas percepções de confiança, intimidade e segurança dentro do lar.

Vale a pena a leitura!