sábado, 11 de julho de 2026

A morte de Ivan Ilitch


Liev Tolstói (1828-1920)
Ed Princípia - 96 páginas

"...aquela pessoa, que havia experimentado algo agradável, já não existia: era como se a lembrança fosse de outro."

Em 2023, quando estive internada na UTI, vivi momentos de muita reflexão. Entre máquinas, médicos e o esgotamento diante do caos em que me encontrava, muitas perguntas surgiam em minha mente: E se eu tivesse partido? O que realmente importa nessa vida? Eu estava triste e confusa com a situação, mas não me desesperei porque sabia que Deus estava comigo e isso bastava. Essa certeza me deu forças para enfrentar o medo e acreditar que ficaria bem. Após minha experiência de quase morte (EQM), essa confiança se confirmou: eu voltei porque não tinha chegado a minha vez.

Ao ler A Morte de Ivan Ilitch, de Liev Tolstói, percebo como a ausência dessa fé torna o sofrimento de Ivan ainda mais agudo. Ele, um homem que viveu buscando status e convenções sociais, se vê diante da morte sem esperança. Sua dor não é apenas física, mas existencial. Ivan sente o vazio de uma vida sem sentido maior, sem transcendência.

Talvez eu não tenha vivido como deveria?”, veio-lhe de repente à cabeça. “Mas como estaria errado, se eu fazia tudo corretamente?”, disse para si mesmo.

O alívio só vem quando, nos últimos instantes, ele confessa e reconhece a verdade de sua condição, mas é um consolo tardio.

"Assim que veio o sacerdote, ele se confessou e se acalmou, sentiu-se como se estivesse aliviado de suas dúvidas e, consequentemente, de seus sofrimentos, e encontrou um momento de esperança. Tornou a pensar no ceco e na possibilidade de corrigi-lo. Recebeu a comunhão com lágrimas nos olhos."

Enquanto eu encontrava paz na certeza de que Deus me sustentava, Ivan Ilitch enfrentava a solidão de quem não construiu sua vida sobre algo eterno. Essa diferença é marcante: a fé transforma o medo em confiança, enquanto a ausência dela pode transformar a dor em desespero.

Minha passagem pela UTI me ensinou que a vida é frágil, mas também preciosa. E que, diante da morte, o que realmente nos fortalece não são títulos ou conquistas, mas a fé, o amor e a esperança que carregamos dentro de nós. Tolstói nos mostra, através de Ivan, o que acontece quando esses pilares faltam. Minha história, ao contrário, é testemunho de que a fé pode iluminar até os momentos mais sombrios.

Boa leitura!

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